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Doidimais Corporation
Pesquisa personalizada
terça-feira, agosto 31, 2004
 

DORMIENS ET TITILLANDUS, URBEN

Existem quatro obessões muito difundidas entre as pessoas e apoiadas pelo senso comum que não fazem sentido, uma vez analisadas - e poluem o pensamento de um mundaréu de gente, contaminando-os tão fortemente que o fazem dizer múltiplas bobagens. Elas estão correlacionadas - todas, em nome de algum nobre princípio de busca pela verdade, servem apenas como grilhões para manter os ignorantes presos à mediocridade. São elas: a obessão por neutralidade/imparcialidade, a obsessão por normalidade, a noção de busca da verdade pelo equilíbrio, e a obsessão por coerência de personalidade. Tratarei-as separadamente.

A obessão por neutralidade/imparcialidade consiste na exigência dupla¹ de que a) jornalistas sejam imparciais em seus trabalhos e b) cientistas sejam neutros em suas pesquisas. Esta noção é utilizada até mesmo por quem deveria estar mais consciente dela. Outro dia eu vi na TV aberta um telejornal anunciando sua imparcialidade. Um absurdo, uma desinformação descarada, algo que poderia ir para o PROCON.

Da mesma forma, o senso comum dita que os cientistas sejam neutros ao longo de suas carreiras. Será mesmo que um cientista pago pelo Greenpeace chegará às mesmas conclusões que um pago pela Monsanto, desde que os orçamentos e a área da pesquisa sejam os mesmos?

Ora, ambos jornalistas e cientistas trabalham com prazos, orçamentos e espaço limitados - as simples decisões do que não fazer ( que livros não olhar, que artigos não pesquisar, a quais fatores prestar menos atenção, decidir quantas repetições se darão para cada teste, definir em quais áreas o orçamento deve ser gasto e quanto se coloca em cada área, et cetera) são fruto de inúmeros processos subjetivos. Obviamente, ninguém pode saber o resultado final de sua reportagem/pesquisa antes que ela fique pronta (o que facilitaria muito as coisas, convenhamos). Por isso, não pode saber de antemão se o tempo e dinheiro investidos no trabalho estão arranjados realmente da melhor maneira possível para atingir o objetivo proposto. Apenas depois é que fica-se sabendo disso (deveria ter gasto menos neste item de laboratório, demorado mais na entrevista com fulano, não ter desperdiçado tempo com este livro bobo, gasto mais espaço com a tabela que omitiu aquele dado relevante, lido mais sobre aquilo outro, et cetera).

Junte-se isso ao fato de que quem paga irá certamente querer também mandar, e temos mais um indesejado fator de pressão sobre nosso herói buscador de verdade (seja ele jornalista, cientista, historiador, detetive, ou o que quer que seja).

Que os meus orgulhosos amigos que freqüentam os ICBs e ICEXes da vida saibam: a Ciência pode ser totalmente honesta, nunca os cientistas.

Outro ponto a ser dito sobre neutralidade é que nunca significou aproximação da verdade. É triste saber que tanta gente ainda confunda neutralidade com honestidade. Em certas situações, os dois conceitos se tornam opostos - se um amigo seu está diante da escolha entre dois cursos de ação no qual um é obviamente melhor que o outro, e ele lhe pede um conselho, você será neutro ou científico? Fiquemos com a máxima de Olavo de Carvalho:

Científico não quer dizer neutro, quer dizer apenas honesto.

***

A segunda obsessão aqui tratada é aquela com a normalidade. Não vou falar aqui daquele papo de manter a personalidade e tudo o mais. Quero apenas dissertar sobre a inerente falha lógica neste objetivo.

Querer ser uma pessoa normal (ou seja, não ser chamado de freak) implica necessariamente em definir um certo padrão de comportamento, e então seguí-lo. Em teoria, tal padrão de comportamento é buscado na maioria dominante em seu meio social. Mas esse padrão pode ser definido objetivamente? O que dizer das modas que desaparecem em pouco tempo? Resolve-se na base do maria-vai-com-as-outras? Mas como saber quando seguir e quando esperar mais gente seguir antes? O que dizer da primeira pessoa a seguir alguém numa determinada moda - quando ela deixa de ser "o freak que seguiu o freak" e passa a ser normal? E essa pessoa que inaugurou a moda - será que ela está totalmente alheia à vontade ser "normal"?

E como fica a questão de que num mesmo grupo cada um passa seu tempo fora do grupo de uma maneira diferente? (sua turma se encontra regularmente, tudo bem. Mas e quando vocês não estão juntos? Estão todos fazendo as mesmas coisas? Se comportando do mesmo jeito?)

Estas questões, obviamente, não podem ser respondidas objetivamente. Donde se conclui que a vontade de ser normal é algo totalmente irracional, visto que é um objetivo do qual nunca se terá certeza de que foi atingido. O máximo que os obcecados podem fazer é se sentirem tidos por normais. E buscar um mérito desses deve ser mesmo recompensador. Portar uma discreta e normalíssima medalha onde se lê: "Medíocre".

***

A terceira obessão é a noção de que a verdade - e/ou o melhor caminho - é alcançada pelo equilíbrio. Assim, os políticos das verdadeiras direita e esquerda são "radicais demais" (como se fosse possível ser "radical na medida certa"), e os melhores estão no centro; o sistema ideal de gestão econômica deve misturar "na medida exata" capitalismo e socialismo; a pena ideal para certo crime deve estar na média aritmética entre o mínimo e o máximo propostos; o Estado não deve ser laico nem fundamentalista, mas algo no meio do caminho; certo fato histórico não foi nem "um massacre" nem "um protesto pacífico" mas sim "uma pequena matança"... enfim. Exemplos melhores abundam em conversas nos botecos desta cidade - que não são poucos!

Os perigos desta noção são tão óbvios que não convém enumerá-los de forma séria, mas fica o alerta de que esta vilã do pensamento é muito mais comum e mais perigosa do que se imagina. Parece haver um permanente diplomata corrupto no raciocínio de muitas pessoas, seduzindo-lhes com a maravilha (inexistente, claro!) do equilíbrio.

Mas se o remédio curou um paciente e matou outro, vá lá - dê ao próximo meio remédio.

***

A quarta comum e idiota obessão do senso comum é aquela com a coerência da personalidade. Você já sentiu isso. Aqui e ali em rodas de fofoca, alguém começa a falar mal de uma pessoa. Ela é chata, ela é não-sei-o-quê², ela é antipática, arrogante, não sei o que mais³. Mas na mesma roda de conversa tem outra pessoa que vai* e diz: "mas eu acho essa pessoa muito gente boa! Ele me trata mó bem e tal!". Pronto. Mesmo que os dois interlocutores não briguem (e não deveriam mesmo) não é preciso olhar para os lados para ver as expressões de desprezo e escárnio dos demais participantes da conversa.

Quem é gente boa tem que ser gente boa com todo mundo! E quem é chato não pode tratar ninguém bem! Isto é um absurdo! Como ousa esse chato, esse vilão, cujo nome virou sinônimo para um monte de verbos ruins, e do qual a gente sempre fala e despreza para nos sentirmos melhor a respeito de nós mesmos, cometer o terrível crime de... ser gente boa com alguém da nossa roda! É uma dupla traição. Traição do chato - que quebrou sua imagem de chatice - e traição da pessoa que acha o verme gente boa.

Dsede que não se faça nada de criminosamente errado, ninguém é obrigado a tratar todo mundo do mesmo jeito. Não interessa se duas pessoas tratam uma terceira exatamente da mesma maneira: ela tem todo o direito de responder de maneiras diferentes a cada uma das duas. E fim de papo.

Esta obessão é terrível. Porque estejam certos de que todos nós já fomos o "chato que só um acha gente boa numa rodinha" muitas e muitas vezes em nossas vidas.

***

Eu ia falar hoje de um monte de coisas legais que passaram na minha cabeça na Savassi esta tarde (e justificam a imagem deste post, uma montagem que eu fiz), mas prometi afastar o DOIDIMAIS CORPORATION de um diário - pelo menos por enquanto - então fica pra depois. E por depois eu quero dizer nunca. Ou pelo menos daqui a muitas décadas, quando e se (com ênfase no se) eu escrever minha biografia**.

¹ Não escrevi "dupla exigência" porque é clichê.
² Vício mineiro de linguagem, extremamente comum, deve ser pronunciado bem rapidamente.
³ Idem.
* Outro vício, este "vai" totalmente sem sentido e igualmente desnecessário. Usado aqui à maneira de crônica.
** Se eu escrevesse "autobiografia", não seria pleonasmo?
 

Peixes:
segunda-feira, agosto 30, 2004
 

PAISAGENS BUCÓLICAS
(ao som de O Rappa - Rodo Cotidiano)

Apenas ela, dentre todas, ela - jóia tão rara- o compreendera. Ele era insano, claro. Sua personalidade única se manifestava até mesmo em pequenas expressões cotidianas. Ele tinha seu próprio jeito para perguntar as horas, pronunciava certas palavras de um jeito só seu, cantarolava músicas com as quais ninguém mais se importava, contava piadas internas mesmo que não houvesse ao redor ninguém mais capaz de entendê-las. Alguns chamavam-no esquisito ou mesmo bizarro. Outros, aqueles que queriam agradar, diziam-lhe autêntico - pois havia quem gostasse. A maioria - quase todos- apenas olhava uns para outros com rostos expressando o desconforto com aquele de personalidade tão singular. E terrivelmente tão... tão... sóbrio!

U-ô-ô-ô, my brother
U-ô-ô-ô, my brother
U-ô-ô-ô, my brother
U-ô-ô-ô, my brother

Mas ela - ah! - ela o entendera¹. E numa quente sexta-feira de primavera, eles estiveram nos braços um do outro. E ele descobriu o sabor de lábios, e se regozijou.

Mas o que somente a paixão pode fazer compreender é esquecido quando esta se apaga. Paixão e razão nunca foram opostas. Nem sequer complementares. São apenas manifestações diferentes de um mesmo espírito. E o que é construído pelas duas juntas, por mais belo que seja, com facilidade se desfaz se uma rompe a aliança.

A idéia lá comia solta
Subia a manga amarrotada social
No calor alumínio
nem caneta, nem papel- uma idéia fugia
Era o rodo cotidiano, era o rodo cotidiano
Espaço é curto
quase um curral
na mochila amassada
uma quentinha abafada
meu troco é pouco é quase nada
meu troco é pouco é quase nada

E em pouco tempo ela se esqueceu do que sabia, porque a paixão que lhe iluminava o pensamento a abandonou. Pois a distância e o tempo são para a paixão como o vento para a fogueira: extingüe a pequena e reacende e abrasa a grande. E desta historinha totalmente fictícia se apreende uma importante lição:

A obsessão que a grande maioria das pessoas têm em serem normais - lançando o máximo de esforços para imporem suas personalidades e preferências sem serem taxados de estranhos - é saudavelmente abandonada pelos que nela não vêem graça nenhuma.

U-ô-ô-ô, my brother
U-ô-ô-ô, my brother
U-ô-ô-ô, my brother
Ô-ô-ô-ô, my brother

Obviamente, esta lição também não pode ser aprendida com a razão somente. Mas já dizia Olavo Bilac:

"Pois sabei que é por isso que assim ando:
Que é dos loucos somente e dos amantes
Na maior alegria andar chorando."

***

Por outro lado, existe ela. Esta ela não é a mesma ela de antes. Oh não, ela é diferente. É tudo - tudo - o que ele poderia desejar, e muito mais - com certas gratificações extras muito bem-vindas e bem colocadas no lugar.

Mas é inalcançável. Um dos maiores arrependimentos dele é não ter arriscado na única boa oportunidade que teve para tê-la nos braços. Mas ele era à época inda mais tolo. E agora é prudente demais para não perceber a intransponível distância entre os dois.

Não se anda por onde gosta
mas por aqui não tem jeito, todo mundo se encosta
Ela some no ralo de gente
Ela é linda, mas não tem nome
É comum e é normal
Sou mais um no Brasil da Central
Da minhoca de metal que corta as ruas
como um Concord apressado, cheio de força
Voa, voa mais pesado que o ar
o avião do trabalhador

E ele tenta usar da razão para se convencer a não ficar deprimido por isso. "Não posso chorar por não tê-la", pensa sobre a garota que viu em sua frenta tantas vezes, "seria o mesmo que chorar por não ter a Gisele Bündchen".

Imaginem um personagem assim, gente?

***

Não há lugar mais cinematográfico do que um campo gramado à noite, com o céu acobertado de estrelas. Nem sequer mais aconchegante - pode algo ser tão acolhedor quanto um manto estrelado?

U-ô-ô-ô, my brother
U-ô-ô-ô, my brother
U-ô-ô-ô, my brother
Ô-ô-ô-ô, my brother



¹ Á maneira de Edgar Allan Poe.
 

Peixes:
terça-feira, agosto 24, 2004
 

Ô, SEU MÁRIO!

Se eu começar a usar tutti quanti, é porque fui influenciado por Olavo de Carvalho. Não posso, não devo - não é o meu estilo.

O máximo de latim que arrisco é um Finis, ao final de um livro meu. Até agora escrevi apenas um, mas coloquei o Finis nonetheless.

Ensinei-me a evitar ao máximo o etc. E se uso é com respeito - et cetera. Além disso, nunca uso aquela palavrinha - derivada do latim, começada com "m", realmente nojenta e mais bode expiatório que a Alemanha ao fim de guerra. Sempre a substituo por "raça jornalista", termo igualmente equivocado e feio, mas ao menos inédito.

Outro dia lia uns textos no Mídia sem Máscara e vi alguém usando o tutti quanti, e não era Olavo de Carvalho. Daqui a pouco vão copiar também seu et caterva.

Copiar não seria o termo adequado. A expressão não é dele: tem milênios¹. Inda assim, um autor - cujo nome agora não me recordo - que já leio há algum tempo e nunca vi usar o tutti quanti o fez. Como Olavo de Carvalho o faz o tempo todo, conclui-se que foi por influência dele. Com o tempo, o constante uso de certas expressões acaba se tornando uma espécie de assinatura que percorre o texto várias vezes. Como o "riu-se" e o "danou" do Monteiro Lobato. Ou o "tergiversar" e o "obnubilar" do Roberto Pompeu de Toledo. E tal².

(Eu tenho minhas assinaturas também. Vocês conseguem dizer quais?)

O que me leva a dizer que um texto não é apenas as idéias defendidas, ou os fatos e argumentos que conferem sustentabilidade à tese. Sempre foi para mim fundamental que o texto seja agradável de ler. Isso não significa palavras pequenas e muitas piadinhas. Não precisam ser todos um bando de Luíses Fernandos Veríssimos (que não pode ser citado só como Veríssimo para não confundir com o pai). Mas uma escrita correta, porém feia, está longe de ser tão funcional quanto as que se preocupam mais com a arquitetura frasal. "Feio, mas funcional", pode servir para o futebol alemão - nunca para a Escrita.

Basta comparar um texto de Raymond Aron com um de Kenneth Waltz. Embora ambos falem de ciências sociais ( é certo que não é lá exatamente a mesma abordagem ou o mesmo tópico, mas imaginemos um leitor igualmente interessado em Sociologia e em Internações Relacionais), Waltz o faz com muito mais sucesso. Suas frases evitam muitos substantivos abstratos de uma vez só. Também faz frases mais curtas. Usa analogias. Faz piadinhas, algumas bem saborosas. Seus textos, porque mais agradáveis, se tornam mais didáticos, mais úteis, mais convincentes, e mais fáceis de apreender, se argumentar e discutir sobre. Quanto mais agradável é um texto, mais claro ele é - e quanto mais claro, mais fácil é estabelecer uma discussão a respeito, já que menores são as chances de que o tópico evada para as "verdadeiras intenções" do autor.

E claro, um texto têm maiores chances de se tornar agradável se pudermos discernir algumas boas assinaturas.

***

- "Dias úteis".

- Como assim?

Eu pensei sobre a total equivocação e preconceito nesse termo ontem. Como raios pode-se definir que certos dias da semana são "úteis"? Isso torna, fatalmente, os outros dias inúteis. Estamos diante de um adjetivo absoluto, ao menos em primeira instância. Se certos dias fossem bonitos, isso não torna os outros feios - podem ser apenas sem graça. Se certos dias são caros, isso não torna os outros baratos - podem ser simplesmente no preço certo. Todavia, se uns são úteis, aos outros resta apenas o triste destino da inutilidade. Não há uma linha tênue entre um e outro. Não é possível elevar a utilidade de algo sem que essa coisa a) permaneça inútil, inda que menos ou b) torne-se útil. Inda que eu admita a possiblidade de que algumas coisas sejam mais úteis que outras, não há meio-termo. Colocando-se numa escala gráfica, é como se não houvesse zero. Existe zero em beleza ou em preço (nem bonito, nem feio, nem barato, nem caro). Mas em utilidade não. Ou você está do lado de lá ou do lado de cá - inda que possa aproximar-se do zero. Só não pode chegar nele.

Portanto, pelo termo, conclui-se que os sábados, domingos e feriados são dias inúteis. Isso significa que ao menos dois sétimos da sua vida (para os brasileiros, consideravelmente mais do que isso!) são uma total inutilidade. Não interessa se você usou aquele fim-de-semana para comprar um carro. Nem aquele Carnaval no qual você viveu uma divertida aventura. Muito menos aquele domingo no qual você conheceu um contato de negócios num congresso em Florianópolis. Nem aquele Dia dos Pais em que você levou seu filho para a Praça do Papa, nem aquele Dia de Tiradentes em que você começou a namorar, nem aquele 15 de novembro no qual você salvou a vida de seu amigo na cachoeira. É tudo inútil, amigo. E toda vez que você diz "dia útil" - percebendo ou não - você concorda.

Hoje mesmo, a bibliotecária me contou que eu tinha sete dias úteis para devolver um livro e eu nem percebi. Já lhes contei sobre como não presto atenção no que eu mesmo escrevo - agora descobri que não presto atenção no que eu mesmo penso.

E depois acham que eu me acho.

***

Esse negócio de computador em que você põe o dedo na tela em vez de usar teclado ou o mouse nunca vai dar certo.

E se eu quiser realizar uma função levemente diferenciada na tela? Clico com o dedo direito?

***

Vai rolar uma nova onda de empreendimento agora. Depois das academias de ginástica milionárias, o lance é diretórios acadêmicos milionários.

Por elevadas mensalidades, os universitários terão direito a DA´s imensos, de vários andares, com computadores com banda larga, home theater, muitos sofás confortáveis, chão inteiramente acolchoado (é preciso tirar os sapatos ao entrar), muitos murais, folhas e material em abundância, saco de areia para desestressar, redes (muitas redes!) para dormir, jogos de dardos com as fotografias dos professores, minibar, ar condicionado, massagistas de plantão, videogames com quatro controles, e o mais.

DOIDIMAIS CORPORATION - Trazendo a você the ultimate college experience.

¹ Não é à toa que é uma expressão em latim. Aliás, usei "milênios" em vez de "milênios de idade" para evitar o pleonasmo.

² Assinatura de certo outro autor.
 

Peixes:
domingo, agosto 22, 2004
 

CHILE
(ao som de muita música de videogame)

Não quero meus textos em livros bonitos, coloridos, com ilustrações caprichadas e criativas. Antes, quero-os em folhas fotocopiadas unidas tão-somente por grampos - para que possam, muito mais que vistos, efetivamente lidos: ou seja, grifados, marcados, com anotações diversas, circulados, parenteseados, chavados, acolchetados, hachurados, rasgados, amassados e cuspidos.

Um dos melhores fessores que tive foi o Heleno, fessor de Português da minha 6ª série¹. Eu lembro dele falando sobre isso. Ele dizia que os alunos, em sua maioria, eram muito ruins de leitura - fato este evidenciado pelas suas provas, com textos virgens, impecáveis em apresentação. As melhores notas em interpretação de texto vinham de alunos como eu (nunca fui modesto nem bonito), que grifam² frases meramente por acharem-nas bonitas, fazem desenhos de carinhas felizes nas boas piadas, escrevem acusações feias ao autor inda que ele esteja morto há anos, circulam frases em pontos diferentes do texto e as conectam com uma linha, e rabiscam a valer, promovendo um pandemônio no papel.

Por isso que eu queria que³ todo mundo tivesse um monitor auto-limpante - para poder meter a caneta no DOIDIMAIS CORPORATION.

***

Não quero do DOIDIMAIS CORPORATION um fotolog, nem um diário. Mas já que o último post foi intitulado Zimbábue, não faria mal o seguinte ter o nome Chile. São esses os países que já representei em simulações da ONU.

A bela foto que ilustra este post - tirada em julho deste ano em Brasília, numa festa do AMUN - têm dois erros, é verdade. O primeiro: a bandeira chilena está segurado ao contrário. Pode não parecer grande coisa. Mas você acharia bonita uma foto onde se lê ossergorP e Medro?

O segundo erro: a varinha de bruxa que uma das delegatas do Uruguai segura está na frente da minha boca, dando a impressão de que ela palita meu dente.

Inda assim, é uma bela foto - e clicando nela vocês verão uma versão bem maior, digna de se tornar o wallpaper de seus desktops por algum tempo.

Antes que eu me esqueça - da esquerda para a direita: Pamela; delegada do Uruguai cujo nome me escapa neste breve momento; eu, fantasiado de Agente Smith (alias Batman alias Cedê) ; Muts (alias Doninha); Igor Miau (alias Lanterna Verde, alias Cabaço); Richard (a.ka. Friminas); Castor (alias Super-Homem); Da Mata, fantasiado de Harry Potter em Hogsmeade (alias Flash, alias Barata); e garota cinza.

***

Amanhã terei minha primeira aula na Universidade Filosófica Milenar da Grécia. "Tópicos em Comunicação Social: Introdução aos Estudos da Linguagem", às 9:30. Vale 3 créditos.

Obviamente, um acontecimento de tamanha importância merece um post de antecipação. Entretanto, decidi colocar no início do post o texto que começasse com a frase mais intrigante, o que inclusive atrasa a explicação da fotografia e do título.

Não é lá o acontecimento do século. Já sou universitário, estou no 2º período de Internações Relacionais na CUP-Minas. Mas poxa, Federal é Federal (frase esta das mais ouvidas por mim em 2003).

Depois eu mostro pra vocês a paródia de New York, New York que eu fiz ano passado, que conta a história de alguém querendo ir para a UFMG como se ela fosse a Big Apple. Eu até canto se pedirem, só não garanto que minha voz seja assim um Sinatra.

***

Hoje eu vi Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (Jim Carrey, Kirsten Dunst, Elijah Wood e Kate Winslet - Ace Ventura, Mary Jane, Frodo e Rose* no mesmo filme!).

É bem divertido e tem uns truques legais. Traduz visualmente essa coisinha chamada memória de uma maneira vívida- é como se eu tivesse aprendido alguma coisa útil para uma carreira em Comunicação. Os flashes de cenas vividas no passado são tão bem costurados que dá pra sentir-se em casa - o protagonista Joel caminha pela sua memória do mesmo jeito que eu ou você fazemos com as nossas. Bem ali, na tela na sua frente.

***

Tem diário demais nesta merda. Chega. Vou voltar aos textos universais.

¹ Leia-se 1998.
² E não "grifavam", como pode parecer mais certo. Afinal, eu ainda grifo.
³ Eu poderia ter escrito simplesmente "queria que", mas optei por esta contrução porque ela me é foneticamente mais agradável.
* Quem entende de O Senhor dos Anéis percebe o problema com esta frase. Frodo e Rose não podem ficar juntos, porque Rose se casa com seu amigo Sam.
 

Peixes:
sábado, agosto 21, 2004
 

ZIMBÁBUE

A bela República do Zimbábue, localizada no sul da África, é o país pelo qual torço nestas Olimpíadas.

No exato instante em que escrevo, o Zimbábue está em 24º lugar no ranking de medalhas - com uma de ouro, uma de prata e uma de bronze. O Brasil está em 50º, empatado com o Azerbaijão e a Argentina - cada um destes três têm duas medalhas de bronze.

É claro, vale lembrar que todas as medalhas zimbabuenses até agora foram obtidas por uma única atleta: a nadadora Kirsty Coventry, nascida na capital do país, Harare. Em 16 de setembro próximo, ela completará 21 anos.

Com seus 1,73m e 61 quilos, Kirsty faturou o 1º lugar nos 200m nado de costas, o 2º lugar na mesma categoria nos 100m, e o 3º lugar nos 200m nado Individual Medley.

Kirsty é quase tão jovem quanto seu país, fundado em 1980. E desde esta data, o Zimbábue nunca viu outro presidente que não o ditador corrupto e sanguinário Robert Gabriel Mugabe. Mugabe proibiu que as televisões exibam a cor vermelha na programação, por estar associada ao partido de oposição.

Enquanto isso, a garota Kirsty, tão jovem quanto meus colegas de faculdade aqui no Brasil, nada pela bandeira que nem nas TVs de seu país pode ser exibida sem infringir a lei.

***

Eu vi hoje O Fabuloso Destino de Amelie Poulain. Minha última experiência com filme francês foi no mínimo embaraçosa (esta é para você, Rúcula), mas Amelie merece todas as boas resenhas.

Tem ótimas piadas, ótimas idéias, muita "viagem", efeitos visuais muito interessantes, trilha sonora legal, bela fotografia. Ao contrário de tudo o que irão lhe dizer, a cena mais comovente e mais bonita do filme é uma das menos lembradas - Amelie, ajudando um cego a atravessar a rua, vai narrando o que está acontecendo ao redor dos dois, com uma impressionante percepção de beleza.

Mesmo para quem acha que engraçado mesmo é Casseta & Planeta ou Debi & Lóide, ressalto que existem diálogos intrigantes, muitos flashes de seios nus, e, claro - a belíssima atriz principal, cuja personagem têm como um dos principais prazeres enfiar a mão bem fundo em sacos de cereais.

***

- Se eu fosse você...

Quando alguém lhe disser isso, interrompa-o violentamente e diga:

- Se você fosse eu, faria exatamente o que EU faria, p**ra! Afinal de contas, eu sou eu!

***

- Doutor... - diz o jogador de RPG ao psicólogo.

- Que foi?

- Tô cansado de mim. Enjoei. Quero rolar outro personagem.

- ...

***

- ...

- ...

***

- Padre, será que rola de Deus me emprestar uns dados de seis faces?
 

Peixes:
quarta-feira, agosto 18, 2004
 


UNS ROCK SINISTRO
(sic)

As pessoas são obcecadas por novidades. Se você as informar que gosta de uma música que "está tocando esses dias no rádio", elas dirão, sempre que puderem, "mas essa é velhíssima"! Mesmo que a música tenha só uns dois meses.

De fato, uma das coisas mais perigosas na vida social é taxar algo de novidade. Tudo - indubitavelmente - é velho, antiquado, desatualizado, já era, já foi a época, faz um tempão, "ah, meus dezoito anos!" - inda que essa frase seja dita por alguém que inda não tem vinte. Não seja um trouxa, meu amigo. Vou te dar um conselho de amigo, meu amigo. As coisas, meu amigo, envelhecem rápido - muito rápido!

Link, o protagonista de um dos melhores jogos de todos os tempos - The Legend of Zelda - Ocarina of Time - sofre algo parecido. Após viver algumas extraordinárias aventuras aos dez anos de idade, ele entra no Templo do Tempo, onde é aprisionado numa espécie de facho de luz azul. Lá dorme um confortável e profundo sono.

Ao acordar, Link vê-se com dezessete anos.

A imagem deste post flagra o momento exato em que o Herói do Tempo começa a perceber sua nova condição. Está bem mais alto e mais forte - mas não consegue mais empunhar alguns equipamentos que usava quando criança, como seus queridos estilingue e bumerangue. Terá de se acostumar com sua nova condição, empunhar a Espada Mestra e salvar o mundo do reino de terror construído nos últimos sete anos por seu arqui-inimigo (não ponderemos aqui sobre o que ele fez, naturalmente, ao seguir sua curiosidade diante de certas novidades anatômicas).

Hoje eu estava matando aula com alguns bons amigos quando fui contar uma história qualquer. Falei quantos anos eu tinha na época, e por hábito mesmo disse há quantos anos aquilo tinha acontecido.

Mas nisso um dos presentes me chamou a atenção para o fato de que eu havia feito a conta como se eu tivesse 17 anos. Ora, eu tenho 18.

Mas eu mesmo ainda não me dei conta disso muito bem. É certo que meu aniversário é em janeiro, mas eu demoro a absorver certas idades. Eu tive dificuldades para conceber que era tão velho quanto 12 anos, e também aos 15. Só me dei conta quando já tinha feito o aniversário seguinte. É estranho, mas não vi problemas em ter 13 ou 16 anos. Mas algumas idades parecem chegar cedo demais, inda que isso não apresente relação nenhuma com a duração aparente do ano anterior (pois todos sabemos que mesmo anos de 365 dias têm durações muito diferentes).

Em meus dois últimos aniversários, ponderei sobre essas questões. Meus pensamentos devem ter sido parecidos com os de Link no momento em que acorda no Templo do Tempo.

As pessoas obcecadas por novidades, sempre na fissura pela droga do inédito, fatalmente terão também esse momento - claro que, quanto mais tarde ele chegar, maior será o impacto.

Entre nós e Link, entretanto, há uma grande diferença. Ele, sempre que quiser, pode colocar a Espada Mestra de volta no pedestal do Templo do Tempo e voltar a ter seus benquistos dez anos.

Mesmo que tivesse a lâmina cega e um peso desprezível, não seria em nosso mundo a arma mais desejada de todas?

***

O seguinte diálogo é real, com no máximo uma ou outra palavra trocada.

- Mas e aí véi, o cara garrou a mulher?

- Nó, mó catou a mulher.

- E rangou?

- Não rangou ela não, mas rolou uns rock sinistro!

Rock sinistro é agora meu mais novo vício de linguagem.

***

Outra nota sobre o primeiro assunto. Religiosamente¹, eu sigo o ritual de zerar, do começo ao fim, o The Legend of Zelda - Ocarina of Time uma vez por ano. Lançado em novembro de 1998, o jogo nos brinda com uma sensacional experiência a qual me reservo o direito de gastar três dias. Merece ser sempre revista.

***

Duas frases, por mim construídas, que ainda tenho de usar:

"É com este automóvel que me locomovo pelas vias urbanas!"

"À medida que o enredo se desenvolve no desenrolar dos capítulos!"

***

Quando eu for professor vai acontecer assim:

(em tom solene)

" Minha sala de aula não é uma vagina. Portanto, não fiquem entrando e saindo".

***

"Mas é por causa que...", disse o orador, "... os atores são os principais atores no cenário teatral!"


¹ Minha tese é de que "religiosamente" nunca deveria ser sinômino de "rigorosamente", porque afinal existem muitos que se declaram religiosos e sem pudor desacatam vários dos preceitos de suas religiões. Ainda assim, usei o advérbio da maneira usual, porque afinal falo a língua que os outros ouvem, e não um idioma livre de contradições e preconceitos.
 

Peixes:
domingo, agosto 15, 2004
 


BUSY, MONSIEUR
(ao som de Linkin Park - Breaking the Habit)

Estou ficando cada vez mais ocupado. Candidatei-me a Conselheiro Executivo da Revista Fronteira, um periódico semestral de iniciação científica em Internações Relacionais publicada pela CUP-Minas. O resultado sai amanhã. Consegui o cargo de Voluntário Administrativo para a V MINI-ONU. Minhas aulas na UFMG começam na próxima semana. Meu segundo exame de direção será nessa semana também. Estou trabalhando para a Empresa Júnior de Internações Relacionais, juntamente com duas garotas, num manual de etiqueta de negócios para a França - será entregue para uma missão da FIEMG no mês que vem. Como se não bastasse, amanhã às 9:30 tenho duas coisas para fazer: aula de auto-escola e a segunda reunião da Associação de Ex-Alunos do Colégio Marista Dom Silvério. À primeira eu faltei porque no horário dela eu tinha duas coisas para fazer na CUP: reunião dos representantes de turma e apresentação da Empresa Júnior. No meio disso tudo, ainda tenho que arranjar tempo para fazer os trabalhos de faculdade.

Memories consume...
Like opening the wound
I'm picking me apart again
You all assume...
I'm safe here in my room
Unless I try to start again
I don't want to be the one
The battles always choose
´Cause inside I realize
That I'm the one confused

Nevertheless, eu ainda faço questão de, por exemplo, escrever o DOIDIMAIS CORPORATION, ou ainda fazer como fiz ontem e mestrar uma aventura de Dungeons & Dragons para alguns amigos. Jogamos até 1 hora da manhã.

E sabem por quê? Porque, assim como já dizia o sábio Scatman John, I wanna be a human being, not a human doing!

I don't know what's worth fighting for
Or why I have to scream
I don't know why I instigate
And say what I don't mean
I don't know how I got this way
I know it's not alright
So I'm breaking the habit...
I'm breaking the habit
Tonight!

***

Clutching my cure
I tightly lock the door
I try to catch my breath again
I hurt much more
Than anytime before
I had no options left again

Na foto que ilustra este texto, o Agente Smith faz com a mão esquerda o sinal americano para "O.K", considerado extremamente ofensivo no Brasil. Esse mesmo sinal, colocado sobre o nariz, é usado na Colômbia para significar que a pessoa em questão é homossexual. Divirta-se contando isso para seus amigos próximos e usando o sinal sempre que alguém que você quer zoar estiver falando.

Note que a foto também foi escolhida para o texto de hoje por um motivo especialmente especial (ha!). No canto esquerdo aparece a mais importante invenção do mundo: o bebedouro!

I don't want to be the one
The battles always choose
´Cause inside I realize
That I'm the one confused


***

I don't know what's worth fighting for
Or why I have to scream
I don't know why I instigate
And say what I don't mean
I don't know how I got this way
I´ll never be alright

So I'm breaking the habit...
I'm breaking the habit
Tonight!


Alguém aí reclama da existência dos shoppings? São "templos de consumo", "isolados da área urbana", "vilões que fizeram fechar os cinema de rua", "mini-cidades artificias asquerosas terrivelmente limpas e cheias de mármore e neon infectos"?

Talvez vocês prefiram os gulags?

I'll paint it on the walls
'Cause I'm the one at fault
I'll never fight again
And this is how it ends

***

Tive uma idéia maluca. Certo, isto não é novidade, mas esta idéia em específico é.

Ao ter uma idéia para texto especialmente boa, vou desenvovê-la não com um, mas com dois textos. Um será uma crônica, com personagens caricatos, várias linhas de diálogo, humor de vários tipos, tudo desfiando a idéia e expondo como é ridículo não acreditar nela.

O outro será uma dissertação séria, sem diálogo e com pouco ou nenhum humor, apresentando argumentos e fatos que confiram sustentabilidade à tese.

A folha será cortada na vertical, ao meio, e eles deverão ser lidos em paralelo. Os leitores mais desatentos podem demorar a (ou nunca) perceber que os textos tratam da mesma idéia - eles terão títulos diferentes.

Uma novíssima experiência textual, trazida a você pela DOIDIMAIS CORPORATION.

I don't know what's worth fighting for
Or why I have to scream
But now I have some clarity
to show you what I mean
I don't know how I got this way
I'll never be alright
So, I'm breaking the habit...
I'm breaking the habit...
I’m breaking the habit...
Tonight!!
 

Peixes:
terça-feira, agosto 10, 2004
 

PICASSO

Esta tela do orkut¹, com seus olhos aqui e boca lá, me lembra um quadro de Picasso.

***

Hoje eu tive umas três ou quatro idéias para textos que se esvaíram no ar. Duas vingaram. Ei-las.

***

Não há melhor gerador aleatório de personagens do que um ônibus. Não falo, claro, desses onibus democráticos que pegam praticamente as mesmas pessoas todos os dias num mesmo horário. Falo de algo tipo o 4111 às 20:30 de uma terça-feira.

Diria qualquer um mais esperto que é realmente muito fácil chamar de aleatório um dado ônibus num dado horário num dado dia da semana ao mesmo tempo que se considera não-aleatória toda uma linha de ônibus num mesmo horário durante toda a semana. Essa fala, que como disse poderia vir de qualquer espertalhão, é, com ênfase², fundamentada. Não é justo comparar a aleatoriedade de um com o outro - da mesma maneira que não têm significado dizer que o quitandeiro rival vende frutas mais azedas que as suas, sendo que ele vende limões e você tangerinas. (aliás, este estilo de escrita e apresentação de idéias, combinado com o uso de uma metáfora bem gráfica, foi-me e continuará sendo herdado pela leitura de textos de Internações Relacionais)

Não obstante, é fascinante a diversidade de pessoas que circulam dentro de um 4111 em uma de suas (sempre muito, muito) longas viagens. Todos os níveis de renda, bairros de moradia, graus de beleza física, níveis de escolaridade, faixas etárias, enfim - tudo encontra-se representado sem um mínimo padrão discernível, sem respeitar nenhuma proporcionalidade que venha à mente, numa extraordinária vitrine de todas as formas que um ser humano pode vir a assumir. Um caleidoscópio (perdoem-me o lugar-comum, fui influenciado pela famosa música dos Beatles) de incrível dinamicidade.

Se algum dia a TSR me contratar para fazer uma tabela com o título Random NPC Generator para o D20 Modern, estejam certos de que a farei o mais perfeita possível - usando um ônibus como meu único laboratório.

***

Se uma questão é polêmica ou não, depende do meio em que está inserida. Em uma tribo de indígenas brasileiros, como mostrado recentemente pela Superinteressante, é uso que os garotos iniciem sua vida sexual com as sogras, para somente então partirem para cima³ de suas esposas - e não raro continuam mantendo relações com as duas.

Se algo do tipo acontece com uma família belorizontina conhecida nossa, não concebo a totalidade das repercussões do escândalo ulterior.

Da mesma forma, ao contrário do que pensam certos cabeça-duras por aí, o que é "óbvio" ou não depende totalmente do meio. Se algo que é óbvio para nós não o é para outrem (que tapados!), com a mesma facilidade algo que é óbvio para eles pode não o ser para nós (que perversos!).

Estas simples e óbvias (ha!) considerações, que qualquer um fará bem em sempre levar no bolso, não excluem a possibilidade de se considerar algumas culturas superiores a outras - nem, por outro lado, toma essa possibilidade como pressuposto (olha que título de livro isso não daria, Possibilidades e Pressupostos).

¹ Ressaltando que orkut escreve-se sempre com minúsculas, justamente por ser nome próprio (!), lembro que a tela está desatualizada e atualmente tenho 67 amigos no orkut. Se eu ganhasse um centavo para cada amigo, bem, dava pra comprar lápis e clipes. Falando nisso, faz algumas semanas que o orkut alcançou um milhão de usuários: plugue-se nele violentamente e irá ultrapassar a famosa ambição de Roberto Carlos.

² Usei "com ênfase" e não "de fato" pelo mesmo motivo que já hesito em usar "em verdade" - assume-se que afinal estou falando a verdade, não existem expressões como "em mentira" ou "fora de fato".

³ Um árduo defensor da igualdade de valor entre todas as culturas, paladino dos fracos e oprimidos e adorador da burca e da extirpação de clitóris, logo diria que a expressão "partirem para cima" é ofensiva, alegando que eu não a usaria em se tratando de membros da minha cultura. Está, nesse ponto, certíssimo - eu usaria termos muito, muito mais chulos.
 

Peixes:
domingo, agosto 08, 2004
 

DESFALQUE

O IBES¹, meu grupo de trabalho no curso de Internações Relacionais, sofreu um desfalque. Perdemos a Mulher-Maravilha, que trancou o curso para fazer um estágio à tarde. Uma pena, uma notícia séria. Além de perdermos uma importante aliada no combate ao crime e às forças do mal, sem a Rúcula² ficamos agora com apenas uma garota na equipe. O nosso esconderijo secreto - uma fortaleza no espaço sideral com uma belíssima vista da Terra - corre o risco de ficar com cheiro de vestiário masculino.

E para quem não está entendendo nada: meu grupo de trabalho, por ter sete pessoas, identificou várias listas de sete coisas (pecados capitais, dias da semana, etc.) com cada um dos sete membros. Isso inclui a Liga da Justiça, formada por sete heróis. A garota que trancou o curso era a Mulher-Maravilha. Eu, claro, sou o Batman. E, ao contrário do que disseram alguns freqüentadores do blog, não tenho nem pretendo treinar um Robin.

***

Fui num churrasco hoje. Foi divertido. Mas lá constatei algo sério, que gerou conversas pelo ICQ sérias porém inofensivas com colegas do curso.

Basicamente, notei uma consolidação da polarização da sala em três grupos: a primeira turma, a segunda turma, e os que não fazem parte de nenhuma delas (por opção mesmo, na verdade). Uma outra teoria diria que existe de fato um terceiro grupo, um tanto mais difuso; mas certamente não mais que isso, e com certeza existem os que não estão em nenhuma turma - o que não quer dizer que sejam anti-sociais. Na verdade muito pelo contrário, porque os realmente sociáveis se relacionam com todos, e não se pode dizer que preferem este ou aquele grupo.

Isto posto, confesso que notar a consolidação dessa polarização chegou a me preocupar, de fato. A separação de uma sala que necessariamente nasce homogêna em três ou mais grupos pode gerar sérias conseqüências, se o processo se fortalecer durante quatro anos inteiros. Uma cerimônia de formatura não seria realizada com dezenas de alunos que se sentem confortáveis na presença uns dos outros, mas sim com a formação de rodinhas quase que totalmente incomunicáveis umas com as outras. Isto é, certamente, totalmente adequado para uma formatura dum Dom Silvério, com seus quase quatrocentos formandos; mas não para uma turma que nasceu com sessenta alunos e provavelmente não formará mais que quarenta, conforme as estatísticas. Essa polarização (em termos mais simples, a criação da panela, dos que não são da panela e dos que não estão nem aí) certamente pode trazer situações desagradáveis.

Enretanto, após ponderar sobre a questão, e especialmente após conversar com amigos, eu decidi que afinal não estou diante de um problema. Ninguém pode muito menos têm o direito de impedir a formação de subgrupos dentro de um grupo, e na verdade não seria saudável. Por menor que seja uma turma, sempre haverão subcírculos de afinidade. É na verdade através da formação de subgrupos que as coisas acontecem. E é através do menor subgrupo possível - o par - que se realiza o maior presente da Natureza e o maior dom da Humanidade, que é o de amar.

Assim sendo, preocupar-se com essa questão seria não apenas pouco saudável, mas pouco produtivo - e portanto nada inteligente. No final das contas, vale a máxima de Lennon e McCartney, e neste caso dou ênfase que realmente eu mean what I say quando digo que

I get by with a little help from my friends,
I get high with a little help from my friends.

***

¹ Investigadores do Bem Estar Social, grupo de estudantes que leram Adam Watson.

² Rúcula é o apelido mais famoso de Carolina "Mulher Maravilha" Macedo.
 

Peixes:
quinta-feira, agosto 05, 2004
 

O FUTURO DO FUTURO

A vida é cheia de escolhas.

Hoje, por exemplo, eu tive de fazer uma duríssima escolha: a qual dos cargos me candidatar para trabalhar na MINI-ONU, a simulação secundarista da ONU feita pelo curso de Internações Relacionais da CUP-Minas.

Tentou-me o mais divertido, Voluntário de Comitê - auxiliar os delegados (e delegatas!) na condução dos debates, ouvindo as discussões e aprendendo sobre o tópico.

Indicaram-me o mais trabalhoso, Voluntário de Logísitica- montar pastas, carregar caixas de água, entregar crachás e fazer as coisas acontecerem.

Falaram-me sobre o mais misterioso, Voluntário Acadêmico - participar das situações de crise.

Mencionaram-me o mais administrativo, Voluntário Administrativo - fazer telefonemas, mexer com computadores, outras tarefas.

E têm também a parte jornalística da coisa, a qual me soou em sintonia com meus interesses. Por outro lado, já terei Jornalismo mais do que suficiente no meu curso na UFMG.

Após ter "certeza absoluta" de três dos cargos, decidi afinal por Voluntário Administrativo. Entretanto, é impossível deixar de sentir o trade off. Os outros cargos também me são fantasticamente atraentes - o que é bom, pois significa que estou no curso certo. Qualquer uma das subcarreiras dentro da carreira de Internações Relacionais me parece divertida e também ótima fonte de aprendizado.

Obviamente, não sei se fiz a melhor das escolhas, e talvez nunca saiba. Mas tenho certeza que fiz a escolha certa.

***

As propagandas nas épocas do Dia das Mães e do Dia dos Pais incluem, invariavelmente, a tal da retribuição. "Retribua a(o) seu(sua) pai/mãe toda a generosidade/carinho/dedicação/etc."

Mas essa retribuição não perde um tanto o sentido quando lembramos que ela acontece todo ano? Sempre pensei em retribuição como algo que se faz para nunca mais ter de se fazer. Ainda que a retribuição seja realizada gradualmente ou em partes, uma vez feita as partes envolvidas ficam quites, e não há mais necessidade de se continuar a interação.

Retribuir ao seu pai ou a sua mãe significa não precisar retribuir nunca mais. A Publicidade precisa dum outro verbo.

***

As pessoas podem ser muito negativas. Com uma única frase ou pensamento, podem desprezar, menosprezar ou classificar negativamente um grande conjunto de coisas. Por exemplo, podem dizer que os blogs são todos inúteis; ou as mulheres são todas más motoristas; ou que RPG é coisa de nerd; ou que a TV é um lixo e nela não há nada de bom.

Da mesma maneira que nos surpreendemos com a negatividade de uns e outros, nós mesmos de vez em quando somos muito negativos. Eu mesmo alterno entre momentos de extremo bem-estar e otimismo com considerações pesadamente negativas e/ou agressivas acerca dos mais diversos assuntos. O negativismo nos ajuda sentir melhor: afinal, se isto está claramente errado e eu não faço isto, então eu não sou uma pessoa tão ruim assim. Quanto mais coisas erradas que eu não faço eu achar, melhor pessoa parecerei para mim mesmo.

***

O que apenas me leva a pensar que pensar não passa da auto-imposição de preconceitos. Por mais que reflitamos sobre um assunto, não se esgotarão as possiblidades - portanto, formulamos alguns preconceitos que nós mesmos criamos, assumimos umas considerações que nós mesmos ponderamos e voilá - eis uma dissertação da qual nos orgulhamos por ser esclarecida.

Esclarecida o cacete. Nossas dissertações são inerentemente falhas porque é da natureza do próprio pensamento criar preconceitos e assumir coisas não-verificadas. Como romper essa limitação?

Redissertar, reconsiderar, e reavaliar não me parece o suficiente. Todas essas tarefas envolvem erros inevitáveis.

Pensar não é uma das belas artes. Pensamos simplesmente porque a alternativa (parar de pensar) está fora de questão.
 

Peixes:
terça-feira, agosto 03, 2004
 


RETIFICAÇÕES

Pelo bem da Ciência, lancemos-nos a algumas retificações.

Em primeiro lugar, de fato eu me esqueci - no post anterior - do Banana, o quarto integrante da Liga dos Homens. O Banana seria um baixinho gorducho que, assim como todos os outros heróis da Liga, não têm superpoder algum. Desconfio que haveria uma rivalidade entre o Homem Discreto e o Banana a respeito do título de "mais misterioso da equipe" - de qualquer forma, não fui eu quem criei esse personagem, e sim o Fábio, a mesma pessoa que me alertou sobre o esquecimento dele. Portanto, sempre onde está "um grupo de três heróis" ou qualquer coisa parecida, leia-se quatro.

***

Em segundo lugar, lanço reflexão sobre um texto anterior no qual eu indagava como alguém poderia definir o significado da própria palavra significado, ou, mais explicitamente, em como responder a esta pergunta:

"Significado? O quê significa isso?"

Ocorre que bolei solução para essa questão. Basta assumir que, para fazer tal pergunta, a pessoa já deve ter noção do que significado significa. Do contrário, não poderia utilizar a palavra como ferramenta para indagar a respeito da mesma. Isto é, ninguém pode fazer a pergunta de maneira totalmente inocente: para perguntarmos o significado das coisas já temos em mente a capacidade primária de compreender o significado do significado. Obviamente, isto não responde como chegamos a esta noção básica, mas resolve o problema proposto no texto anterior - o que era a intenção anunciada desde o início.

***

Em terceiro lugar, eu bombei em meu primeiro exame de direção, realizado esta manhã. Marquei 13 pontos, sendo 3 o máximo permitido. Retifiquei-me, marcando novo exame, que será realizado entre os dias 16 e 21.

***

Em quarto, sim Iago, Chill Out é um remix d´A Suprema Aventura. E obrigado, Gi, Rúcula e Andressa, pelos comentários estreantes.

***

Em suma, 3=4; requer s; e 13=0.
 

Peixes:
segunda-feira, agosto 02, 2004
 


DE HERÓIS E (ca)LOUROS

Eu gostei tanto do efeito da imagem do post anterior que agora quero imagens em todos os posts futuros. A imagem acima, que mostra os membros da atual Liga da Justiça, justifica-se porque voltei às aulas, iniciando hoje o 2º período de Internações Relacionais. "O quê isso tem a ver?", você pergunta. Bem, meu grupo de trabalhos na CUP-Minas é composto por sete pessoas, e cada um se identifica com um dos membros da Liga. E o grupo volta à ativa hoje... Sim, antes que você pergunte: nosso grupo tem duas garotas e cinco caras, assim como a Liga. E eu, claro, sou o Batman. O mais maneiro de todos.

***

Eu estava vasculhando uns papéis antigos aqui em casa e redescobri de uma tacada só duas idéias antigas minhas que de outra forma poderiam ter se perdido para todo o sempre.

A primeira: os Sdrac Cards. Sempre que minha sala de aula no Dom Silvério recebia grandes quantidades de papéis pequenos com os versos em branco (bilhetes, recados, algumas propagandas, etc.) eu pegava vários e começava uma série de cards - fazia desenhos no verso de cada um e numerava. Cada card é único, e tem gente que guarda um na carteira até hoje. Na maioria das vezes eu desenhava pessoas reais (como colegas e professores) ou personagens já consagrados (como meus queridos Xeque, Mate, Zé da Oreia, José Umé, Lápis-Caneta, Mosquito Bonito, As Prostitutas Cibernéticas, a turma toda).

Só que desta vez me chamou a atenção que eu vi uma das idéias mais infames que já tive (e sim, esta é a segunda idéia redescoberta) - a Liga dos Homens. Composta por Homem-Homem, Capitão-Homem e Homem Discreto, este é um grupo de três heróis sem superpoder algum, que por acaso se comportam como super-heróis e combatem (ou tentam combater!) o crime. Cansado de tantos e tantos super-heróis de nome "Homem-qualquer coisa" ou "Capitão qualquer coisa", criei os simples Homem-Homem e Capitão Homem.

Quanto ao Homem Discreto - era para ser Homem Secreto, mas isso soou poderoso demais para a Liga dos Homens. Então, diminuí um pouco seus poderes aparentes.

***

Amanhã de manhã vou fazer exame de motorista, no Mineirão. O primeiro, e, espero, também o último. Desejem-me boa sorte! Até breve.
 

Peixes:
A corporação mais lucrativa, subversiva e informativa do planeta. Doidimais Corporation- expandindo pelo mundo para que você expanda o seu. Doidimais Corporation- ajudando você a ver o mundo com outros olhos: os seus. Doidimais Corporation- a corporation doidimais. doidimaiscorporation[arrouba]gmail[ponto]com

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