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terça-feira, maio 29, 2007
 

















NOTAS EM ESCALADA

No Japão, um ministro suicida; na China, um ministro é condenado à morte.

Uma nota: É uma semana de alta mortalidade para ministros.

***

Duas notas. Uma: o Congresso americano está prestes a ratificar acordos de livre comércio com o Peru e Panamá. (um acordo com a Colômbia vai ter que esperar mais)

Outra: Peru e Panamá são exatamente os atuais ocupantes das duas cadeiras da América Latina no Conselho de Segurança da ONU.

Coincidência?

***

Três notas a respeito do fechamento da RCTV pela Doutrina Chavez (nunca vemos essa expressão na Lídia brasileira; "doutrina" está reservado para o Bush).

Uma, contraditória: este convincente artigo da Fairness & Accuracy in Reporting, dizendo que i) afinal de contas a imprensa venezuelana permanece sendo bastante crítica, ii) a RCTV apoiou um golpe de Estado de um presidente democraticamente eleito, iii) a RCTV rompeu com sua responsabilidade jornalística ao exibir o filme Pretty Woman em vez de veicular o retorno de Chavez do golpe fracassado de 2002.

Não exime Chavez, mas traz pontos contundentes. Existe realmente uma enemy image que construímos dele, que torna tudo o que ele faz automaticamente errado. Além disso, nos torna cegos a erros que podem ter sido cometidos por seus adversários.

Outra, mas na mesma linha: um dos ministros de Chavez acusa a rede Globovisión de veicular mensagem subliminar incitando ao assassinato de Huuuuugo:

" Information Minister Willian Lara said the station, Globovisión, encouraged an attempt on Chávez's life by broadcasting the chorus of a salsa tune - "Have faith, this doesn't end here" - along with footage of the 1981 assassination attempt against Pope John Paul II.

"They incite the assassination of Venezuela's president," Lara said at a news conference.

The Globovisión director Alberto Federico Ravell denied any wrongdoing, calling the allegations "ridiculous." "

Isto, senhoras e senhores, é o Ministério da Verdade.

Mais uma, ainda na mesma linha: Diogo Mainardi, neste podcast, mostra o que eu sustentei no post anterior (eu não tinha ouvido isto ao escrever): que o Brasil está copiando a Venezuela, só que o Mainardi aponta as referências bibliográficas. Escutem.

 

Peixes:
domingo, maio 27, 2007
 


















CHAVEZ NOEL, FILHO DA P**A, QUER TODOS MISERÁVEIS

It´s official (e inevitável) : Hugo Chavez fecha hoje, meia-noite, a RCTV, espécie de Rede Globo venezuelana, maior emissora do país e cheia de telenovelas. RCTV, agora, somente na TV a cabo. No lugar, uma TV estatal.

A emissora é acusada pelo regime Chavez de ter apoiado o golpe de Estado de 2002. Além disso, há também uma questão de... moralidade.

``This TV network has become a threat to the country,'' Chavez said yesterday in a televised speech from Venezuela's Lara state, which interrupted live coverage of pro-RCTV marches for more than three hours. ``I base my decision on the specific behavior of this private station, its attitude and constant stepping on public morals.'' (Da Bloomberg)

A atitude de reforma agrária radiofônica chavista é baseada em valores morais. Por parte de alguém que faz vista grossa para traficantes em seu território.

Mas isso não tem nada de engraçado.

Porque ao que tudo indica, caro leitor, estamos muito perto da mesma situação acontecer no Brasil.

1) O fechamento da emissora foi possível porque existe um entendimento de que o espaço radiofônico é "concessão estatal". O Brasil deve urgentemente deixar claro que as emissoras alugam o espaço do Estado ou qualquer coisa do tipo, senão o espaço pode ser "nacionalizado" a qualquer momento.

2) O fechamento foi possível porque beneficiou uma elitezinha de novos funcionários "públicos". Isto é, vai criar empregos e interesses. É exatamente o que acontece hoje no Brasil, com a criação de conselhos disso e daquilo, e com Franklins Martins da vida sendo contratados para novas funções.

3) Os debates sobre "classificação indicativa" e sobre a criação de uma TV estatal federal estão preparando terreno, ou no mínimo testando as águas, para iniciativas semelhantes. Afinal, a nova TV vai ter que passar em algum canal.

4) E finalmente, se nada não ostensivo acontecer no Brasil, nada impede nosso governo de continuar comprando o que deveria ser jornalismo, com anúncios, verbas, cargos, conselhos, concessões e o escambau. Podem até não fechar a Rede Lobo e subsituí-la pela Rede Mula; mas francamente, faz diferença?






 

Peixes:
segunda-feira, maio 21, 2007
 













NOSSA SEGURANÇA EM BOAS MÃOS

Nossa segurança está nas mãos de dezoito pessoas. Os dezoito deputados membros da CSPCCO - Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

Eles são realmente muito eficientes. Do relatório de 2006, página 37:

"No ano de 2006, a Comissão de Segurança Pública e de Combate ao Crime
Organizado aprovou a criação de duas subcomissões especiais.
A primeira, Subcomissão Especial de Políticas Públicas de Segurança Pública (...) A segunda subcomissão, criada para Tratar de Roubo e Furto de Veículos (...) Nenhuma das subcomissões, entretanto, logrou concluir seus trabalhos, pois
nesse ano, conturbado com tantas ocorrências políticas e mais a realização das eleições
gerais no País, teve a dinâmica da Casa como um todo alterada."

Ou seja: eles brincaram de fazer working group e nem para ao final mostrar um relatoriozinho, um projetinho, uma declaraçãozinha. E ainda fazem uma frase mal escrita (nesse ano teve).

2) Alunos de Humanas acham que sabem enrolar. Delegados de modelos, iih, nem se fala. Mas deputados fazem muito melhor. Da Carta de Brasília:

"O ponto fulcral estabelecido pelo Fórum e fortemente levantado pelos
debatedores deságua na insuficiência de recursos destinados à contemplação de
dotações que visem sobretudo atender ações diretamente relacionadas à contenção
da demanda de drogas nos Estados, DF e Municípios."

Nunca vi enrolar tanto para dizer: "Faltam recursos para reduzir a demanda de drogas".
 

Peixes:
sexta-feira, maio 18, 2007
 
BLAIR, BROWN, E TONS DE CINZA

(originalmente feito pro Jornal Mural FAFICH #121, 18-25 de maio)

Uma coisa que nenhum primeiro-ministro britânico vai conseguir é fazer com que chamem o país dele pelo nome correto. É Inglaterra pra lá, Grã-Bretanha pra cá - e o chefe de governo do Reino Unido a cada hora vê seu território mudando.

Quando renunciar ao cargo no dia 27 do mês que vem, contudo, o escocês Tony Blair terá direito a um discurso com muitas realizações. Em dez anos de serviço, ele criou o salário mínimo, aumentou em muito os gastos em saúde e educação, não aumentou o imposto de renda, e introduziu taxas na educação universitária - e a economia se manteve em crescimento.

Blair também realizou reformas constitucionais chamadas “devolutions”, que basicamente concedem autonomia administrativa à Escócia e à Irlanda do Norte - nesta última, com dramáticos resultados para a paz e a segurança. Cabe explicar que “devolution” não é independência - a autoridade administrativa pode voltar para Londres a qualquer momento.

No campo de defesa e política externa, duas grandes façanhas: uma muito saudável e a outra controversa. A primeira foi decidir pela continuação do deterrente nuclear britânico – o único do mundo composto apenas de submarinos (quatro). A segunda, bem, a segunda foi um lamaçal chamado Iraque.

Lluís Bassets, jornalista do El País, escreveu que Blair merece a glória, mas pecou por querer ser melhor que Churchill: deu um passo maior do que as pernas ao imaginar a Cruzada de seu tempo, juntando-se aos americanos contra os tiranos de hoje.

Não surpreende, portanto, que aquele que em ‘97 era o primeiro-ministro mais popular da história hoje tenha o 3º mais baixo índice de aprovação. Num mundo de relativos e áreas cinzentas, onde Bem e Mal são considerados coisa de criança, não há espaço para cruzadas. Blair não conseguiu fazer com que as pessoas digam “Reino Unido”. Mas definitivamente mostrou a que veio.

** Cedê Silva

 

Peixes:
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