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domingo, agosto 28, 2005
 

I WON´T GET YOU OUT OF MY MIND

´Mas tava rolando na Europa uns movís muito agitados nessa época, e uns DJs muito, muito feras, tá ligado? Tipo, hoje a gente fala do Tijs, eu sei que o Tijs é foda e tal, mas vocês não tem base da bombança que ´tava rolando na Europa nessa época.

Tinha um DJ muito fera, o DJ Hitler, tá ligado? E tipo assim, mal começou a temporada de setembro ele mandou o som dele na Polônia. Era uma movimentação muito pesada, chamava blitzkríg, ou coisa do tipo. Ele pôs umas inovações, foi o primeiro DJ a usar junto som por terra, suporte áereo e umas caixas de som no mar, tá ligado. E baixou aquela sandstorm na Polônia, coisa intensa.

Mas tipo, tinha uns rivais, sabe? Na Europa rolava um cara muito, muito, fera que era o DJ Churchill. E tipo, quando ele viu o que o DJ Hitler tinha feito, ele ficou muito puto. Aí começou a maior mutreta, um versus intenso mesmo, sabe? E a música foi boa, e o volume era muito alto, e a acústica tava afinada. E as festas eram intensas. Tipo assim, milhões de pessoas. Dançando e tal. Na chuva, no frio. Até na neve rolou umas raves. E era mais o DJ Churchill e o DJ Hitler. Rolava outros, mas a França, que é tipo a maior boate da Europa e tem uns espação pra fazer raves, foi tomada pelo DJ Hitler mó rapidím. Na Espanha rolava uma rave mais obscura, uma coisa mais underground, não tinha essa de Ibiza que o pessoa fala hoje. O Picasso, que é um artista que de vez em quando fazia arte pra falar dessas raves que rolava, fez um quadro mó famoso da festa que rolava na Espanha.

Mas rolava uns moví muito paia, fraga. Tipo, o DJ Hitler tinha altos moví paia contra judeu, negro, cigano, e tal. Tipo uns lance muito paia. Muito mais violento que baile funk, cê tem as manha? O DJ Churchill ficava puto. Falou que faria até Dance With the Devil pra não ficar do lado do DJ Hitler.

E tipo, rolava umas rave oriental também. Tinha um cara muito foda que era o DJ Hirohito. Ele sentava o som em cima dos chineses. Uma coisa pesada mesmo, tipo um batidão do Chop Suey com Linkin Park. E o DJ Hirohito meio que invejava o Havaí. Ele tinha uma quedinha pelos Engenheiros, ou talvez gostasse de Summer Jams. Mas o lance é que ele foi fazer uma rave lá no Hawaii, tá ligado? E tipo, isso era lugar do DJ Roosevelt. Que era outro muito foda.

Aí tipo, DJ Roosevelt ficou muito puto com a treta, cê tem as manha? Ficou tão puto que falou que ele ia descer o som dele pra todo lado. No Oeste e no Leste. Não queria nem saber.

Aí ele entrou do lado do DJ Churchill contra o DJ Hitler. E o DJ Hitler devia tá muito confiante.

Porque ele foi mexer com um dos caras mais perigosos de todos os tempos: MC Stalin.

Aí o palco tava armado, sô. A maior rave de todos os tempos. Não durou dias não. Foram seis anos, cara. E quê que é Live-8 perto dela: era festa em tudo quanto é lugar. Na Europa, na Ásia, na África. Até na Austrália. É, o DJ Hirohito foi descer o som dele pra cima dos australianos. Os japas bombando em cima dos cangurus, tá ligado?

Ôu, negócio foi pesado. Investimentos altíssimos. E só DJ foda.

Até que um dia o DJ Churchill e o DJ Roosevelt resolveram fazer uma rave numa praia, no norte da França. Negócio foi lindo. E era o começo do fim. Em Stalingrado MC Stalin fez um showzaço pra cima dos nazistas. Som russo bombante. Tipo aquela musiquinha do Tetris, só que pesadamente remixada, cê tem as manha?

Aí não teve outra pro DJ Hitler. Cabou pra ele. Give it Away, saca. Aí cabou a rave na Europa. E o MC Stalin ficou de ajudar pra dar uma lição no DJ Hirohito.

E no Japão, o DJ Truman soltou o som mais bombante que já teve. Eram músicas muito curtas mas de volume altíssimo, cê tem as manha? Hoje em dia não rola mais raves assim.

No ano em que a maior rave de todos os tempos acabou, os neguím se juntaram em São Francisco, que é uma cidade mó bizarra e bombante, pra fundar a ONU, cê tem as manha? Aí eles fatiaram a Alemanha pra ver se impediam novas raves. Isso já faz sessenta anos.

E esse ano tá rolando as comemorações, cê tem as manha?
 

Peixes:
sábado, agosto 13, 2005
 

CHEERING UP, CHILLING OUT
(Ao som de Baldur´s Gate II - Aerie)

A eterna luta entre beleza e utilidade é isso mesmo: eterna. Mas os profissionais do design insistem que os dois podem ser mesclados, e desenham todos os anos os produtos mais extraordinários, não raro não sacrificando a usabilidade. Nem sempre é isso o que acontece. Já vi saleiros e lixeiras que, embora tenham um design interessante, são consideravelmente menos fáceis de usar do que suas contrapartes prosaicas. Objetos de arte não precisam ser lá úteis no sentido down-to-earth, maneira-ICEX-de-se-pensar da coisa (embora às vezes o sejam); mas ferramentas cotidianas de modo algum podem se importar mais com beleza do que com usabilidade (a menos, é claro, que você can afford it, caso no qual provavelmente não é você quem usa as ferramentas, mas seu séquito de empregados).

Donde lançamos nosso olhar para textos acadêmicos. Eles precisam ser bonitos? Certamente não seria justo exigir que todos sejam escritos em prosa brilhante, com a linha de pensamento deliciosamente ácida dum Machado de Assis, o saboroso estilo descompromissado dum Fernando Sabino, a leveza dum Pedro Bandeira ou Luis Fernando Verissimo, o ritmo intenso de reviravoltas de J.K. Rowling e Douglas Adams, ou a maestria narrativa de Tolkien.

Mas precisam ser tão chatos? Tão intragáveis?

Se um erudito mais chato apontar para como a erudição só vem com esforço, apontando para textos intragáveis e indigeríveis de Kant ou Morx, fica a pergunta: porque eles não podem escrever como autores tão brilhantes quanto Karl Popper, Hedley Bull, Martin Wight, Peter Schelling, Paul Kennedy, John Mearsheimer, Nicholas Onuf? Eles escrevem de maneira sucinta, fácil de acompanhar, recheiam de exemplos, não são afeitos a palavras obscuras. Seus textos são agradáveis de ler e não perdem com isso nem uma parte infintesimal de counteúdo.

Textos agradáveis de ler chegam até a ser mais frutíferos cientificamente. Observem a quantidade de artigos que existem criticando Mearsheimer. Existiria tanta produção assim se os textos dele fossem chatos e arrastados? Claro que não. Quando os pesquisadores, teoristas e estudantes conseguem entender com menos custo-saco as idéias expressadas, todos ganham.

Como se não bastasse, textos agradáveis de ler são mais rigorosos cientificamente, porque existe menos discordância sobre o que o autor quis dizer. Até hoje existem debates sobre o que Morx, o barbudo alemão que deixou o filho morrer de fome, quis dizer. Se ele tivesse escrito de forma clara, sucinta e acessível (como seu xará Popper) em vez volumões inpalatáveis, a energia dispendida nesses debates poderia ir para assuntos mais frutíferos.

Textos agradáveis de ler, reitero, nem de longe são mais prosaicos, menos ambiciosos, ou menos explicativos do que os outros. Pelo contrário, é o excesso de elocubrações que é uma tentativa maldisfarçada de ocultar a falta de substância. Hobsbawn, com suas citações literárias obscuras, nem de longe manja tanto quanto Paul Kennedy ou Giovanni Arrighi. Um bom denuncista desta prática é Olavo de Carvalho, que não raro derruba Marilenas Chauís e Freis Bettos demonstrando a fraqueza dos argumentos por trás da enrolação toda.

Não basta conhecer o assunto e entender das coisas. Não basta um texto com algum conteúdo e gramaticalmente correto. Um texto tem que ser agradável de ler. As escolas, infelizmente, não ensinam a escrever, só a produzir textos. E muitos teóricos parecem totalmente desinteressados nisso.

***

No requiem de um importante personagem (não, não o político do Nordeste), reflexões profundas e download de músicas boas. Contatos de toda a sorte. Feriado na segunda-feira. Músicas cheer up, chill out incluem:

Zeca Baleiro - Telegrama
U2 - It´s a Beautiful Day
Charlie Brown Jr. - Hoje eu Acordei Feliz
Yann Tiersen - La Valse d´Amelie
John Williams - Buckbeak´s Flight

Pra ouvir quando você está se sentindo bem.

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Títulos novos para coisas (a criação do título vem muitas vezes antes de qualquer decisão sobre o conteúdo de um livro, disco, filme ou história, é minha tese¹) :

ESTILHAÇOS & PEDAÇOS

SITES & INSIGHTS

***

A imaginação dos pobres faficheiros é pequena demais. Quase tenho pena. O mais evidente sintoma da total falta de imaginação do faficheiro é quando, ao levantar a mão para fazer uma pergunta, ele antes avisa "Isso é meio viagem minha..." ou "Sei que pode ser meio que uma viagem...". Sabem por quê?

Porque a tal pergunta NUNCA é uma viagem. É sempre uma indagação completamente natural feita a partir de uma observação absolutamente prosaica. A pergunta é sempre desprovida de originalidade - quando não cai no mais absoluto óbvio.

Muito mais intrigantes são as questões feitas de forma clara, concisa, direta e impactante. O pedido de desculpas que antecede a pergunta é uma tentativa mal-sucedida de disfarçar o conteúdo prosaico da questão. Estou com os politicamente corretos quando eles afirmam que "nenhuma pergunta é idiota". Mas sinto muito, chamar qualquer perguntinha de "viagem" é elogio sem merecimento.

***

Zhang Yimou + Cartoon Network:

WUXIA LUCHA

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Frase da semana:

"A sociedade vai utilizar esse conhecimento".

- Lanterna Verde


¹ Uma delas, na verdade.
 

Peixes:
segunda-feira, agosto 01, 2005
 

ARGENTINA

Uma estrela cadente.

Estava eu num ônibus que darted its way to Brasília. As longas horas da madrugada haviam vencido o ânimo dos quarenta e tantos jovens dentro dele - não se ouvia mais um sussuro ou conversa. Mas eu permanecia bastante desperto, pois havia algo muito interessante a se olhar.

O céu.

Ou mais do que ele: pela janela do ônibus, eu via não apenas o céu - mas todo o horizonte - completamente pontilhado por estrelas. A estrada era completamente escura, estávamos envoltos pelo mais completo breu. E elas eram tantas em número, e tão fortes em brilho, que muitas de fato pareciam não estar no céu, mas suspensas logo à frente, como num móbile. Jamais havia tido uma sensação de tanta certeza que eu poderia tocá-las se quisesse. Bastava abrir a janela do ônibus.

E olhei tão longamente para aquele pálio aberto que fui recompensado com um extra: de repente, percebi um risco no céu. Era uma estrela cadente.

***

Representar a Terra da Prata e do Fogo (e se é a Terra da Prata, nada mais justo que fique com a medalha de prata, não é mesmo?) foi muito divertido, embora eu confesse que apelei para a canastrice em várias ocasiões.

Novamente o AMUN confirma que a importância dos modelos está em, em ordem decrescente de importância: conhecer pessoas, se divertir, aprender. E conhecer pessoas não precisa ser alguém de outro Estado não, pode ser alguém de um outro curso da faculdade que você faz, ou até mesmo alguém da sua sala com quem você não conversava muito.

É uma infelicidade que não existam limites para a ignorância humana, e que ainda exista tanta gente sem curiosidade para experimentar o entorpecente universo modelar. Nada contra os viciados que sempre aparecem, claro: mas se o hobby não renovar o público-alvo vai sofrer o mesmo destino trágico que abateu tanto os RPGs quanto os quadrinhos americanos. Ambos foram abatidos por crises depois de concentrarem seus esforços - por longos anos - nos velhos viciados em vez de atraírem novos fãs. Deu certo por um tempo, depois quebraram a cara. E a recuperação não foi fácil - nem completa.

***

Idéias tive recentemente duas e perdi.

***

Você leu antes no DOIDIMAIS CORPORATION - no post de 3 Outubro de 2004, eu já avisava sobre como Sin City ia bombar (se duvida, cheque os Arquivos, à direita de seu vídeo). Bem, o filme bomba, e muito! Nada como o Jornalismo apurado e de bom faro deste nobre blog.
 

Peixes:
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