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sexta-feira, outubro 28, 2005
 

EQUADOR

Existem as peladas do atual Campeonato Brasileiro e existe a copa de 70.

Existe Modelagem & Simulação e existe o Chalé das Nações.

Sociedade semi-secreta de fanáticos por live action mais RIístico do que RPGístico, o Chalé é o Fight Club dos modelos. Combinamos encontros que só são conhecidos pelos convidados - pelo menos até eles acontecerem. Aí, publicamos fotos e textos sobre nosso emocionante dia.

Como já disse neste blog, há poucas qualidades tão preciosas e tão raras quanto a empolgação. Pessoas que realmente gostam do que fazem são muito, muito escassas. Uma infelicidade. Mas em alguns lugares podemos encontrar pessoas que são não apenas experts em suas áreas: são enólogos, amantes, gourmets do que fazem.

É essa qualidade de pessoas que faz as coisas acontecerem neste raio de mundo. O resto é inércia. Ou pior: são os que travam as coisas. São os veja-bens, os várias-fontes, os estupra-mas-não-matas, os fumei-mas-não-tragueis, os institucionalmentes e os odoricos paraguaçus.

Em modelos comerciais padrão, tomamos quatro dias para aprovar uma única Resolução e escrevermos uma dúzia de Working Papers.

Em um dia de Chalé, simulando o Itamaraty, redigimos dezenas de telegramas, recebemos outros tantos, tomamos um sem-número de decisões, produzimos oito notas à imprensa e de quebra fizemos um discurso pro Lula.

Não é apenas prizeless is priceless. É fazer as coisas com as pessoas certas.

E ainda por cima, o fim de semana em Brasília veio com outros brindes. Um macarrão saboroso, uma pizza melhor ainda, um "conhecer melhor" certas pessoas, uma sessão de risos que se utilizou unicamente de brincar com nomes de diplomatas, e a percepção de que o humor mordaz é de família. Falando com um certo Embaixador (este de verdade mesmo, não da simulação) do Itamaraty:

- Pois é, a simulação preparada pelo seu filho foi muito massa, muito produtiva. No Itamaraty simulado, fizemos um monte de coisa, muitos telegramas, resolvemos muitos problemas..

- É, então não foi muito realista não...

***

É absolutamente incrível a perícia da raça jornalista.

A rede Bobo promoveu o desarmamento da população civil até não mais poder. Usou dos truques mais ardilosos para avançar os interesses das Sou da Pazes, Vivas Rios e Comandos Vermelhos.

E agora que o "NÃO" venceu... ou antes, o mínimo respeito à Declaração Universal dos Direitos Humanos venceu... ela vem dizer que o referendo não era sobre o comércio de armas de fogo e munição!

Era sobre o Governo Mula!

Mas isso foi muita cegueira da população! Quer dizer que o referendo não era sobre o comércio de armas de fogo? A pergunta não era sobre isso? O nome do projeto não era esse? As pessoas não votaram foi nesse questão?

Era sobre o Mula o tempo todo! Claaaaaaaro.
 

Peixes:
quarta-feira, outubro 19, 2005
 

ALEMANHA

Ao som de Charlie Brown Jr. - Hoje eu Acordei Feliz


Quem vai ao MINI-ONU sabe como o Homem-Aranha se sente.

Poxa, a gente acorda cedo, veste uma fantasia, calça sapatos, põe gravata, pula pela janela e vai salvar o mundo. Combatemos salvaguardas, criamos cenários de confiança, levamos punhaladas nas costas, aturamos longos discursos, sobrevivemos a sugestões absurdas, reparamos acidentes diplomáticos e situações muito embaraçosas, contamos votos, andamos pra lá, ficamos naquele suspense na hora do Voto por Chamada, corremos pra cá, nos alimentamos mal, dormimos pouco, solucionamos dúvidas, impedimos guerras, buscamos informações, e represetamos um sem-número de personagens - tudo isso dentro do terno, num calor de mais de trinta graus.

E depois que a gente salva o mundo vinte vezes e volta pra casa pulando de teia em teia, o que a gente descobre? Que falta comida na geladeira, tem três provas na semana, a Mary Jane tem um novo namorado e a Tia May está doente. Ah, e seu melhor amigo é o novo Duende Verde.

Hoje eu acordei para sorrir, mostrar os dentes
Hoje eu acordei para matar o Presidente
Onde tem festa, ela vai tar, eu vou, vai ser perfeito!
Eu vou fazer o que você jamais teria feito
Hoje eu acordei feliz...
Sonhei com ela a noite inteira,
Eu sempre quis
Hoje eu acordei feliz...
Sonhei com ela a noite inteira,
Eu sempre quis
- Só não quero acordar!

Anuschka Tischer é uma gracinha. É a alemã mais sexy do mundo. Nascida em 1968 em Arnsberg, na região de Vestfália, ela é uma PhD em História de cabelos cor de mel e olhos claros. Ganha em Euros e é uma das duas pessoas vivas que mais entende do Tratado de Vestfália no mundo inteiro.

Como se não bastasse, Anuschkita (dra. Tischer para vocês) responde aos e-mails com as dúvidas dos Diretores do comitê vestfaliano do TEMAS 2. Atenta, doce, interessada, se diz toda honrada em responder as dúvidas de um projeto tão ambicioso, e acima de tudo traz uma das maiores qualidades humanas: a empolgação. Gente empolgada é outro nível de ser humano. Qualidades admiráveis existem muitas, mas se existe algo precioso e cada vez mais raro, é gente empolgada.

Chegou, ficou do lado, não parou de olhar pra mim
Eu sinto lhe dizer, mas sou o cara que ela é a fim
O sexo é bom, o amor, melhor, os dois então - perfeito!
Eu vou fazer o que você jamais teria feito...
Hoje eu acordei feliz...
Fiquei com ela a noite inteira
Eu sempre quis
Hoje eu acordei fe-eliz...
Fiquei com ela a noite inteira
Eu sempre quis
- Só não quero acordar!

Leitores, posts mais críticos virão em breve; por incrível que pareça a rotina deste semestre está ainda mais trabalhosa do que o anterior (MUNs are to blame?). Tenho idéias boas no arquivo de sempre. Até lá, fiquem o com o novíssimo blog de Vetusto Douto, o jurista dos juristas:

http://vetustodouto.blogspot.com


Hoje eu acordei feliz...
Fiquei com ela a noite inteira
Eu sempre quis
Hoje eu acordei fe-eliz...
Fiquei com ela a noite inteira
Eu sempre quis
- Só não quero acordar!
Chegouficoudolado
Jásentiuumpoucodaqueleefeito
Eu vou fazer o que você jamais teria feito
Não quero acordar - Não!
Não quero acordar - Não!
Não quero acordar - Não!
Não quero acordar... Não!
 

Peixes:
segunda-feira, outubro 03, 2005
 

AS FLORES DA ESTAÇÃO

Ao som de Hale-Bopp - Star Ocean Summertime OC Remix


Quantos dos nossos pensamentos se devem à juventude? Quanto da nossa forma de enxergar o mundo se deve ao fato de que temos uma certa idade, e de que vivemos principalmente de estudar e de festas irresponsáveis?

Esta shiver down the spine que eu sinto quando ouço a música que acompanha este tópico ou coisas como Forever Young se deve unicamente a melodia, ou ao fato de que me identifico com a letra? No segundo caso, será que a sensação vai se perder quando eu ouvir músicas novamente daqui a décadas, já idoso?

Quando falo desta sensação de que a vida é algo épico e grandioso e de que podemos mudar o mundo com esforços heróicos, não falo de uma ideologia falsa ou de uma ilusão qualquer. Essas coisas duram tempo demais. Falo da sensação que dura nunca mais que alguns segundos, e que é tão vibrante e autêntica que não pode ser despertada por um discurso inflamado¹ qualquer ou por um cartaz ou panfleto. Ela é acompanhada por rápidos e intensos flashbacks de momentos de nossa vida, por vezes analogados a grandes histórias que conhecemos. Ela só surge em ocasiões personalíssimas: os poucos segundos de uma determinada música ou um momento especial de um filme, as linhas mais empolgantes de um livro, ou um discurso realizado numa ocasião especial - como a sua formatura - especialmente se você estiver fazendo o discurso em vez de apenas ouví-lo.

Esta sensação de que a vida - a sua - é uma história grandiosa demais para ser narrada apenas em palavras é um dos grandes mistérios da existência, e, juntamente com os sonhos, certamente dos mais fascinantes².

Drifting away, back into sweet slumber again
I'm waiting for you to bring me back to life some day

Houve um tempo que "cidadão do mundo" era um título que chamava a atenção. Viajar era coisa de solteirões excêntricos, pessoas cujas profissões as obrigavam esse privilégio (diplomatas, executivos de multinacionais, esportistas, artistas, etc.), e famílias muito ricas.

Hoje viajar já enjoou. Todo mundo conhece vários intercambistas. "Intercambista", inclusive, virou identidade e eles formam clubes, associações e tem suas próprias festas. Já existe até o tipinho, todo mundo deve conhecer, que estraga qualquer festa: aquele que não somente só conversa sobre suas experiências no estrangeiro (parece que nunca viveu nada interessante no Brasil), como também está plenamente convencido de que aqui não é o lugar dele. Pode até chegar a achar alguém atraente unicamento pelo fato de que esse alguém nasceu em outro país.

Que aqui não é o lugar dele ele está certíssimo. Se todos os chatos fossem expulsos do Brasil já seria um grande passo nosso em direção ao Primeiro Mundo. Agora, não precisa ficar alardeando isso pra todo mundo. Já sabemos que o Brasil não tem lá muitas oportunidades.

Existe muita gente que não sabe o que fazer da vida. Muitos deles prestam vestibular pra Direito e Comunicação. O cara que não sabe o que fazer da vida e fez intercâmbio faz Internações Relacionais.

O "cidadão do mundo" se tornou algo tão desinteressante que hoje o impressionante é alguém conhecer de fato um lugar.

Wake up from bliss now that the night has come to pass
I'm now dreaming of a life I hope to live one day

Tão sábio quanto seu colega de profissão Carlos Drummond de Andrade é o poeta Samuel Rosa quando diz: Os amores imperfeitos são as flores da estação.

Far away in your confusion
Understand, you are only human
WHY... TRY... to fake resolution?
Look around you, it's all an illusion

Mas esta sacada aqui é minha: "A Humanidade não acaba. Vaso ruim não quebra."

Now on my own, never to see summer again
I'm not looking back on what my life became that day

Há uma necessidade nos autores - mesmo os teoristas sérios (leia-se, autores de não-ficcção) - em terminar seus livros e artigos com frases inspiradoras e satisfatórias. Mesmo num livro sobre macabros dilemas de segurança e sobre as fatalidades trágicas da política internacional, ou sobre uma violenta guerra ou das possibilidades oferecidas por armas químicas, o último parágrafo é sempre uma coisa esperançosa e reflexiva.

Isto reflete uma característica psicológica dos cientistas ou é simplesmente algo para tornar a leitura mais palatável para o consumidor?

***

Ah, a música que ilustra este post tem tudo a ver com uma crítica construtivista às teorias neo-utilitaristas em IR. E o verso "why try to fake resolution" é simplesmente perfeito. Justifica um videoclipe da música com cenas de MUNs.


¹ "Discurso inflamado", eita clichê.

² Para ótimos textos sobre o assunto, que conseguem colocar em palavras tudo aquilo que você apenas sentia, ver http://www.heavengames.com/cgi-bin/forums/display.cgi?action=ct&f=1,327001,,all .
 

Peixes:
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