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Doidimais Corporation
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quarta-feira, setembro 29, 2004
 

A PERSISTÊNCIA DO CALOR

Sabe quando você está andando na rua, ouve uma voz, vira-se para ver o que foi e não percebe nada? E fica pensando que foi a sua imaginação?

Pois hoje eu descobri exatamente o que explica este fenômeno. Pois eu vivi o outro lado da experiência.

Eu estava subindo um trecho de asfalto para entrar na CUP-Minas quando de repente me descobri pensando alto (os mais tolos chamam isso de falar sozinho¹). Eis quando um velho, a cerca de um metro ou menos de mim, vira a cabeça em minha direção, sem parar de andar. Antes que ele complete o movimento, eu cesso completamente a fala e continuo andando para frente, como se nada tivesse acontecido. Certamente logo depois disto o velho coçou a cabeça e continuou andando.

Naquele exato instante, veio-me o eureka! típico que gera as minhas idéias para textos. Em um nanossegundo, um neurônio enviou um sinal elétrico para seus vizinhos, que fizeram o mesmo com os vizinhos deles, e assim por diante - e no mesmo momento a conexão estava pronta, a idéia formada. Isso explica tudo, todas aquelas vezes, pensei.

Ouviu alguma voz? Não identificou a fonte? Pode estar certo que foi aquele doidinho ali, que passou reto como se nada tivesse acontecido, num momento especialmente inspirador.
É claro, esta conjectura não resolve o problema de quem ouve vozes fora de lugares públicos - quando não há, de fato, ninguém por perto...

Mas você, caro leitor, não é uma dessas pessoas... é?

***

Hoje estive num fascinante debate sobre o que é melhor: filtros de barro ou galões de água. A melhor invenção de todos os tempos - o bebedouro - estava fora do debate, primeiro porque é hours-concours e segundo porque gasta energia elétrica. Falávamos do melhor custo-benefício para orçamentos modestos - no caso, o quê comprar para o primeiro apartamento - seja morando sozinho ou com roomies.

Os galões de água apresentam suas vantagens. São capazes de encher um copo mais rapidamente do que as modestas torneirinhas dos filtros de barro, e além disso não existe "espera para filtrar" neles - o lag dos filtros. Por outro lado, parecem ser uma opção ligeiramente² mais cara. Ademais, os apoiadores desta visão argumentaram que bom era usar a água do galão para encher um recipiente que é deixado na geladeira - argumento este que provou-se fatal, visto que enquanto eles tinham de recorrer a um aparelho que consome energia elétrica, os usuários de filtro têm água fresca sem tal artifício - pois o barro usa a própria água para refrescar a água.

O filtro, além de não requerer compra constante de novos galões - tirar água da torneira é infinitamente mais barato e não requer sair de casa para ir comprar - confere todo um charme especial à cozinha. Tudo que se deve fazer é lavá-lo umas duas vezes por ano. De trade-off em trade-off, o filtro ganha do galão com toda a certeza.

Mas, excetuando-se o bebedouro, bom mesmo é a moringa.

***

Guardar todos os comentários de um blog ou cartas recebidas por um jornal e fazer uma cópia de segurança, como chama?

Exato. O BACKUP do FEEDBACK.

***

Mas divertido mesmo é narração de histórias com viagens no tempo.

"Enquanto isso, dois dias depois..."

***

¹ E os cínicos chamariam de eufemismo.

² Se "ligeiro" significa "rápido", nunca houve motivo para que "ligeiramente" significasse "com pouca intensidade". Mas vá lá - o hábito faz o clérigo.
 

Peixes:
domingo, setembro 26, 2004
 

UMA RESPOSTA À ALTURA

Ando perdendo várias idéias para textos, algo que não é novidade para ninguém que freqüente o DOIDIMAIS CORPORATION. Ademais, vêm se acumulando vários comentários neste blog que não receberam respostas adequadas. Assim, este domingo será dedicado a responder alguns comentários aqui lançados. Isto não implica, claro, que eu esteja sem idéias - meu arquivo continua com umas qüarenta ou cinqüenta, prontinhas.

Decidi lançar respostas apenas aos comentários mais respondíveis - isto é, foram excluídos os elogios, bem como as críticas de discordância (por exemplo, o excelente comentário de Fábio sobre o post de 23 de setembro, que me deixou boquiaberto). Ambos são muitíssimo bem-vindos, mas respostas adequadas a eles exigiriam - com toda a certeza - um post para cada um, se não mais.

Da mesma forma, não falo sobre posts nos quais achei estranho que os comentários se concentrem num determinado ponto do texto e evitem por completo outro (voltando ao post de 23 de setembro, não esperava a ausência total de comentários sobre a história do velho sábio da taverna).

Sem mais - exceto as palavras que se seguem ao "sem mais" - vejamos.

***

Ahm...hein! Agora conta quem eh pra acabar com a desconfianca dos serios aqui. (Natália, sobre o post de 26 de maio)

Natália, é claro que eu não vou contar. E sim, continuam valendo as coisas escritas no texto.

fiquei curiosa pra saber quem eh a dona do comentário e o que ela falou...mas acho q vou morrer com essa dúvida, não é mesmo?! (Bárbara, sobre o post de 27 de maio)

Bárbara, ahn, não necessariamente. Basta fuçar nos comentários passados e você vai achar.

Ih, seu junho tambem comecou mal? (Natália, sobre o post de 5 junho)

Natália, você não entendeu absolutamente nada. Leia de novo.

Então era você mesmo no churrasco do CMDS... (Natália, sobre o post de 16 de julho)

Sim, claro.

AH, vale lembrar que a música "With a little help from my friends" na verdade foi composta pelo baterista Ringo Starr. (Fernando, sobre o post de 8 de agosto)

Na verdade, não. A música é de autoria da dupla Lennon - McCartney, e cantada por Richard Starkey. A comprovação científica se encontra em http://en.wikipedia.org/wiki/With_a_Little_Help_from_My_Friends

acho q eu vou ser o q nunca entende (Vidigal, sobre o post de 15 de agosto)

Será?

ta, ms o link pode voltar no tempo pra qdo ele tem 10 anos se ele quizer... (Aécio, sobre o post de 18 de agosto)

Ahn, isso é mencionado especificamente no texto.

Tem diário demais não. E quem foi que disse que desses seus "diários" não saem bons textos? Eu gosto. Abraços. (Gi, sobre o post de 22 de agosto)

daqui uns dias vc vai comecar os posts com: "querido blog". TIpo um diário online. (Vitor, sobre o post de 30 de agosto)

puta merda cede seu blog tá muito chato conta mais sobre coisas legais da sua vida e para de filosofar nesse grande boteco chamado blogspot. (Fábio, sobre o post de 19 de setembro)

Como vocês podem ver, a situação está muito longe de alcançar um consenso.

Se todo mundo no Brasil fosse realmente de esquerda, não estaríamos tão atolados nessa merda, e tão à mercê dos EUA. (Fernando, sobre o post de 9 de setembro)

Super-texto sobre isso em breve.

Ha, adorei o Gandalf bebendo água mineral... sim, eu estou consciente do quão inútil é meu comentário... ;) (Amanda, sobre o post de 9 de setembro)

Amanda, nenhum comentário é inútil¹. E como comentado por outro leitor, não há nenhuma garantia de que a garrafa na foto seja de água mineral.

Eu prefiro as antigas (pré-1998). Tipo Super King Kid e Batiago. XPP (Iago, sobre o post de 14 de setembro)

Eu ia dizer que você "desenterrou" essas memórias, mas acredito que os primeiros personagens estão tão vivos em minha mente quanto na sua.

Fred, tua lógica está truncada. Há um "necessariamente" no meio das frases da revista que dá um tom de absoluta incerteza quanto ao fato da revista ter ou não uma posição, e qual. (Iago, sobre o post de 19 de setembro)

Totalmente correto. Inclusive eu tinha isso em mente ao escrever o texto, não sabia ao certo se passaria despercebido ou não. Ainda bem que não passou. De qualquer maneira, os veículos revelam sua opinião numa coisa chamada "editorial", a qual praticamente todos eles têm, seja em todas as edições ou não.

Pq o neguim foi escrito c/ acento grave?! (Fernando, sobre o post de 23 de setembro)

A-ha! Sua percepção é ótima, parabéns - mas a memória nem tanto. Não se lembra da paródia de Kill Bill idealizada no post de 2 de maio?

***

Mais coisas num futuro próximo. Estou perfeitamente ciente de que esta última frase é dotada de nenhum poder explicativo, nem mesmo descritivo.

Obviamente, não me importo com isso.

¹ Eu poderia dizer que nada é inútil, mas isto tornaria a palavra "inútil" inútil. Touché.
 

Peixes:
quinta-feira, setembro 23, 2004
 

VÁRIOS TEMPOS AO MESMO TEMPO

Imagine uma rodinha de conversa. Pessoal falando, e tal. Discutem política internacional, guerra, partidos, eleições. Ou seja, amenidades. Aí um diz: "sou de direita".

Todo mundo vira a cabeça. O quê, como assim, tá brincando, mais essa agora, até parece, etc. Mas o cara insiste: "sou de direita. Menos Estado. Liberalismo. Livre iniciativa. São os empresários a nos salvar dos políticos, não o contrário. Essas coisas".

Expressões boquiabertas. Espanto. Como pode?

Reacionário. Fascista. Esse quer só é ser o diferentão. Mainardista. Aposto que nunca leu revistas de qualidade, como Caros Amigos e Carta Capital. Lê essas coisas de direita. Época, Istoé. E Veja. Coisas malignas no mundo são a Globo e a Veja. Bushista. Elitista.

É no mínimo intrigante ser de direita neste país.

Obviamente, eu não sou. Muito menos de esquerda. Eu tô na(s) faculdade(s) é pra aprender. Depois posso pensar em talvez tomar posição.

Mas que não existe debate neste país, ah, não existe. Ou em alguma universidade você já viu um pôster do Bush? Reagan? Smith? Carvalho?

***

E tem aquela do neguìm que falou que repetir os mesmos assuntos é um saco. Que é desnecessário. E tal. Mas aí veio o velho sábio da taverna e falou:

- Meu bom jovem, os textos dissertativos chamam-se ensaios por um motivo. A busca pela Verdade, conforme nos é ensinado pela Filosofia, está em constante aprimoração. Dizia Guimarães Rosa que "cada criatura é um rascunho a ser retocado sem cessar". O mesmo pode ser dito de qualquer idéia. Embora existam dissertações magnifícas, nenhum é uma obra-prima; todas podem ser contestadas, atualizadas, refeitas. Cada uma é um ensaio objetivando o próximo, que deve ser ainda melhor - mas nunca chega a hora de ir ao palco. Se você achar que chegou ao palco, vai se confortar, estagnar e pode até ficar dogmático. Você quer ficar dogmático, meu bom jovem?

- Mas velho sábio - retrucou o jovem - a postura forte e inabalável contra o dogmatismo não é ela mesma dogmática?

- Ah, meu bom jovem... você aprende rápido.

***

Para a dupla jornada de estudo tenho um slogan malufóide:

"CANSA, mas não ESTRESSA".
 

Peixes:
domingo, setembro 19, 2004
 

A VERDURA SEM PAR DESTAS MATAS

Você já se surpreendeu cantarolando uma música que outra pessoa cantarolou poucos minutos antes? Este é um fato social deveras intrigante - e nada discutido.

Da mesma forma, é muito bom quando você vê alguém cantarolando uma canção que você mesmo cantou apenas algumas linhas alguns momentos antes.

Fazer uma música ficar na cabeça das pessoas é desses prazeres que Amelie Poulain gosta, e que Carlos Drummond de Andrade enumerou tão bem.

***

A falta de imparcialidade dos veículos de comunicação é denunciada por eles mesmos livremente, num erro primordial e bobo - semelhante ao da criança que, ao se vestir de fantasma, esquece de cobrir os pés com o lençol.

Falo aqui do espaço oferecido pela raça jornalista¹ para veicular opiniões de seus consumidores - sejam leitores ou telespectadores. Invariavelmente - seja o veículo a Superinteressante ou a CNN - sempre há frases como "as opiniões emitidas nessa seção não traduzem necessariamente a posição da revista", ou "as idéias aqui expressadas não necessariamente são compartilhadas por esta empresa", ou o quer que seja.

Ora, isto claramente denuncia que o veículo em si tem opinião própria, pois afinal² não poderia se preocupar em isentar-se de opiniões alheias se ele mesmo não defendesse coisa alguma.

Não são necessárias grandes denúncias sobre a falta de imparcialidade da raça jornalista nas salas de aula. Ela mesmo se entrega.

***

O título deste texto, além de pertencer a famosos versos, acaba servindo, em determinado contexto, para se referir a três pessoas da minha sala de Internações Relacionais. Quem conseguir decifrar o mistério ganha um parabéns.


¹ Para os iniciantes neste blog: raça jornalista é termo cunhado por mim para substituir um asqueroso lugar-comum, aquela palavrinha de cinco letras começada com "m".

² Temos aqui um pleonasmo - o "afinal" bastaria, sem precisar do "pois".
 

Peixes:
terça-feira, setembro 14, 2004
 

E LÁ VAI

Voltei a fazer quadrinhos em sala de aula. Passei todo o primeiro semestre deste ano sem fazê-lo. Em teoria, isto que você está lendo agora é um fragmento autobiográfico, recentemente proibido por mim mesmo neste site. Por outro lado, nada do que vou dizer é realmente pessoal, mas meramente diz respeito a processos criativos e idéias. Seu típico material DOIDIMAIS CORPORATION.

Vocês que são de fora não conhecem as centenas (sim, centenas) de páginas de quadrinhos que produzi entre 1998 e 2003. A grande maioria envolve pessoas do meu colégio em situações mais ou menos reais - com alguns twists bizarros ou fantásticos. Mas umas tantas outras são histórias completamente originais, algumas originadoras de personagens recorrentes, inclusive. Dentre os meus favoritos, estão Xeque e Mate, os Destruidores de Coisas¹ - Xeque é um assassino maníaco que sempre usa terno e óculos escuros, portando duas armas de fogo; Mate é um mendigo corcunda semi-careca viciado em crack que porta sempre seu pé-de-cabra. Dentre os favoritos do público, estão José Umé, o tenista cujo sobrenome vem do famoso grito de Guga; e séries como Na Meningite (doze professores numa gincana numa ilha deserta), Vamos Todos Nos Danar (alunos numa grande saga com magia e super-poderes), A Lenda de Zurayde - "Oh, Karina!" do Tempo (a paródia de um videogame mais hilária de todos os tempos) e Casa dos Maristas (reality show com alunos e professores).

Não imaginam o trabalhão que dá bolar todo o novo elenco - decidir como fazer, com traços extremamente simples, dezenas de personagens novos - professores e colegas. Gosto muito de alguns resultados - uma garota da minha sala cujo apelido é Bândida (sic) ficou com uma espécie de fantasia de PapaBurger; já o Nelly ficou com bandana e óculos escuros; e o professor Rodrigão é minha versão do Comic Book Guy dos Simpsons.

Não sei se os anos de faculdade vão ser tão frutíferos quanto os de colégio em termos de páginas de quadrinhos - mas que vão render material, ah isso vão.

***

Vocês acreditam que corro sérios riscos de não ser o Cedê no curso de Comunicação Social na UFMG? Por causa de uma aula na qual o professor pediu um exemplo de bandeira assimétrica, e eu sem nem pensar respondi "Zimbábue!", pode ser que pegue o apelido Zimba!

ZIMBA? Mas que bosta hem?! Cedê é um apelido tão legal...


¹ A minha própria tradução para o inglês deste título, nunca antes publicada², é Stuff Fuckers. O logotipo seria um FFF.

² Pleonasmo. O antes é desnecessário, claro.
 

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sábado, setembro 11, 2004
 

AQUILO

Rasgando violentamente o céu e o concreto, um avião atinge com impacto fulminante um edifício de cento e tantos andares, ao lado de outro que já sufocava num incêndio avassalador. A cena é assistida por milhões de pessoas nos cinco continentes.

Hoje é o terceiro aniversário de um dos dias mais importantes da História, a mais memorável e triste terça-feira das últimas décadas - uma coreografia espetacular que custou três mil vidas.

Tendo de início ensaiado um esforço de solidariedade e combate aos verdadeiros vilões, a sociedade internacional desviou-se para outro caminho. Dois são os tristes efeitos gerados pela terça-feira.

Primeiro, acostumou o mundo com o horror, amaciando os impactos das carnificinas que se seguiram. As mortes em Bagdá, em Moscou, em Madrid, em Beslan, em Jacarta, embora acolhidas com luto, nem de longe despertaram o interesse que merecem - ou ao menos o interesse que teriam se aquela terça-feira tivesse sido um dia mais tranquilo. A capacidade de se horrorizar é uma das características humanas mais saudáveis - e estamos perdendo-na.

Segundo, fortaleceu ainda mais o anti-americanismo, em especial no Brasil. Não mais interessa se são sempre os inocentes a pagar com suas vidas os espetáculos dos terroristas, não interessa se brasileiros morreram naquela terça-feira, não interessa se Sérgio Mello pagou com sua vida a causa dos que querem Hussein de volta. Nos horrorizamos muito mais com o ataque do padre irlandês ao maratonista do que com o ataque do terrorista iraquiano ao diplomata. O Brasil é cada vez mais simpático aos terroristas islâmicos, pouco se lixando em avaliar o que aconteceria se fosse dado a eles tudo o que querem. Ao mesmo tempo em que se critica a visão maniqueísta de Bush, enxerga-se no terror o Davi que irá derrubar o Golias gringo.

E quanto mais se fala daquele dia, quanto mais se repete o nome daquela data (que aqui decidi chamar simplesmente de "terça-feira" ), quanto mais analisamos suas repercussões, mais nos distanciamos daquele peso no coração que sentimos quando vimos pela tevê alguém se jogando do prédio em chamas.
 

Peixes:
quinta-feira, setembro 09, 2004
 

NOS BASTIDORES

Ninguém jamais compreenderá por completo alguma coisa até escarafunchar seus bastidores. Não estou falando de paranóias bobas ou de tentar adivinhar o que alguém quis dizer com determinada ação ou frase¹- muitas vezes, o recado é aquele mesmo que está na cara. Procurar intenções ocultas nos escritos de Maquiavel, nas obras de da Vinci, nos textos bíblicos ou nas fotos de Paul McCartney é uma grande besteira, até prova em contrário - isto é, dissertações bem fundamentadas cheias de comprovações e embasamento.

O que quero dizer é que muitas vezes não percebemos o gigantesco trabalho que está por trás de algo aparentemente simples. Não direi aqui que fato recente me chamou atenção para isso, visto que ainda está válido a regra de que o DOIDIMAIS CORPORATION não é um diário.

Voltando de certa maneira ao assunto, acho muito errado o fato das escolas ensinarem Diogo Mainardi² com ênfase tão pesada na ironia. Taxar Mainardi de irônico, e mais nada, é excluir totalmente a possibilidade de que alguém possa pensar daquele jeito. Algo muito negativo, já que o colunista ítalo-brasileiro³ é um dos poucos que estão "do outro lado" no pensamento contemporâneo neste país*. É realmente muito confortável achar que tudo o que ele diz não passa de uma grande inversão do que ele realmente pensa - e nenhuma escola deveria ensinar a seus alunos a se confortarem com o pensamento. Infelizmente, é o que acontece, e este país só será feliz no dia em que abrirem uma Chapa Estudantil Ronald Reagan ou um Grêmio Adam Smith - algo que, de tão absurdo que soa, serve como sintoma da unilateralidade de pensamento, que fortalece a estagnação e a burrice generalizada.

Não se trata aqui de defender Reagan ou Smith. Falo de defender o debate, a oposição. Quando todos, invariavelmente, acham normal a camiseta do Che Guevara ao mesmo tempo que achariam absurdo alguém usar uma do, digamos, George Washington, estamos imersos num raio de mundo onde todos pensam igual. E isso é de enjoar.

Mas claro, os verdadeiros intelectuais que lerem isto verão nestas linhas uma apologia à direita e um apoio inconteste ao grande Castelo Branco. E eu ficarei na mesma, admirando o fascinante mundo dos bastidores.

¹ O "ou" é inadequado - frases não deixam de ser ações.
² Quando seu nome e sobrenome se seguirem ao verbo ensinar, terás obtido grande reconhecimento. Ensinar Machado de Assis, ensinar Olavo Bilac...
³ Nome politicamente correto - assim como Gisele Bündchen deverá sempre ser referida como teuto-brasileira (e que teutas!)
* Saborosíssimas de pronunciar as palavras neste país são.
 

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