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sexta-feira, junho 15, 2007
 























O IRAQUE DO MOVIMENTO ESTUDANTIL
Nesta sexta-feira 15 a ocupação do prédio da reitoria da USP por estudantes completa 43 dias. A CBN e a Folha noticiaram que o movimento teria emitido um “indicativo de saída” no dia 12, uma vez que as demandas fossem atendidas. Pámela Spinelli, estudante de Letras da USP e membro da Conlute, nega. “Não há indicativo de desocupação”, disse, “já que o movimento conseguiu muita coisa e não deveria parar”. Ela cita três sucessos: o governo Serra ter voltado atrás em sua proposta, e os compromissos da reitoria em posicionar-se a respeito e em formar uma comissão para reformas do campus, que não tem prédios próprios para alguns cursos. Isto inclui a promessa de 320 novas moradias estudantis.

“São vitórias, mas ainda insuficientes”, diz Spinelli. Permanecem dois graves problemas: “o processo de liberação de verbas passaria pela Secretaria criada pela proposta, e a Fatec, da Unesp, se desvincularia do ensino superior, passando a ser apenas escola técnica”. A autonomia administrativa, conta, foi obtida justamente por uma greve, em 89. Ela resume os cinco pontos do movimento: oposição à proposta de Serra e à Reforma Universitária, eleições diretas para reitor, anistia para os estudantes da ocupação, e mais verbas para a educação.

RELAÇÕES EXTERIORES - O G1 noticiou que os estudantes negaram vínculo com sindicatos ou partidos. Spinelli diz que atividades políticas “atuam sim nos movimentos sociais” e esta “não foge à regra. A ocupação ganhou um caráter político muito forte, como símbolo da greve das [universidades] estaduais”. O envolvimento parece bem forte. Para Bruno Simões, bacharel em Direito pela USP “a tal universidade autônoma, que tanto tem sido objeto dos discursos de apoio à invasão da reitoria, não passa de um pretexto para criar mais uma frente de disputa política entre o governo estadual e a oposição partidária de esquerda”.

Em relação à declaração do presidente da UNE, Gustavo Petta, de solidariedade à ocupação, Spinelli diz que foi uma atitude oportunista, “[ele] quis ir no embalo”. A UNE, governista, não compareceu ao prédio nem trouxe nenhuma ajuda aos ocupantes, afirma, e “não representa os estudantes”. Já Rafael Prince, estudante de Direito da USP, diz que a grande maioria dos uspianos não se sente representada tampouco pelos ocupantes. Até aqueles que os apoiavam”, diz, “estão repensando suas opiniões devido ao excessivo e desnecessário prolongamento da ocupação, mesmo após tantas vitórias”. A ocupação deveria ser pontual e específica, ressalta Prince. “Os alunos tinham que sair de lá de cabeça erguida após o decreto da semana passada, mas insistem em permanecer e fazer mais e mais reivindicações”.

O QUE ELES QUEREM - Bruno Almeida, estudante de Relações Internacionais da USP, diz que teve a rotina pouco interrompida pela manifestação, apenas não almoça mais no bandejão. “A ocupação de um prédio público como forma de protesto tem a sua validade”, declara, “se não impedir o funcionamento das atividades normais da instituição. Mas a situação na USP não se encontra mais dessa maneira; serão necessários aproximadamente seis meses de trabalho para colocar em ordem a burocracia”.

A expedição de diplomas está suspensa”, diz Simões. “O meu diploma, por exemplo, sabe-se lá quando receberei”.

Ambos Prince e Almeida concordam que o decreto inicial do governo era realmente nebuloso, mal-escrito – “o governo estadual não consultou a comunidade acadêmica diretamente envolvida”, esclarece Prince.

Apesar de contrário à ocupação, Simões também tem reservas em relação à proposta do governo. “A USP em tese ficaria vulnerável aos contingenciamento das verbas estaduais pelo próprio Governador”, diz Simões. “Se você direciona a pesquisa científica, você acaba ferindo liberdades acadêmicas, obrigando as unidades a trabalharem a pesquisa de um modo muito menos livre. Não se pode agredir a criação e a inovação com o direcionamento das pesquisas”.

BUSH NO IRAQUE, LULA NO HAITI... - Mas as demandas parecem ir muito além das resumidas por Spinelli. “Existe uma miríade de reivindicações de diversos grupos que compõem os alunos que ocupam a reitoria”, explica Almeida. “Primeiramente existem as demandas para a revisão ou derrubada dos decretos estaduais; depois as demandas por melhores condições na USP, como mais blocos de residência universitária, bandejão e transporte no campus nos fins de semana, reformas de prédios e afins; por fim, existe um grupo mais radical que exige a derrubada da reitora e do governador, o fim do vestibular para entrar na USP e outras demandas que na minha opinião são completamente infactíveis”.

As táticas dos ocupantes são bastante incisivas. “Os invasores pegaram os e-mails de todos os alunos, que estavam catalogados na Reitoria, e incluíram todos os alunos da USP inteira no grupo eletrônico deles”, conta Simões. “Bastou alguém mandar a primeira mensagem, para milhares de pessoas descobrirem que era impossível sair do e-grupo. Eu mesmo fui adicionado e bloqueei os e-mails do grupo”.

Em meio a tantos xiitas, fica difícil saber quem é Ahmadinejad e quem é Bush; sabemos apenas que Bagdá é aqui. Ou o Haiti, mesmo.

Se bem que, em se tratando de movimento estudantil (i.e. comunistas), a reitoria da USP não é o Vietnã. E nem o Iraque.

É o Afeganistão.

Os dois lados têm de ceder um pouco”, resume Prince. Simôes discorda: eu acho que não é o caso de negociar, é o caso de processar os invasores.”

 

Peixes:
terça-feira, junho 12, 2007
 


















TIRANDO O ATRASO

Derek Croxton é uma pessoa incrível.

Em fins de 2005, consultei esse especialista em Congresso de Vestfália (1643-1648) por e-mail. Em algum momento, ele acabou me prometendo mandar mapas do livro dele, que deveriam ser coloridos mas aparecem em P&B no livro. O objetivo era estudá-los até abril de 2006, quando teria lugar uma simulação desse Congresso do século XVII que pode exibir, com orgulho, o título de conferência mais superestimada da História.

Os mapas nunca vieram.

Quer dizer, pelo menos não até algumas semanas atrás. Croxton me mandou um e-mail dizendo que era largadão mas não totalmente irresponsável, pediu meu endereço de novo, e mandou os mapas. Eles chegaram.

Baseando-se no exemplo desse grande homem, o DOIDIMAIS CORPORATION aproveita este Dia dos Namorados para tirar o atraso.

1) A maldição do coelhinho - Há muito tempo, este blog foi infectado pela maldição do coelhinho (vejam também aqui). Nunca, contudo, reagiu, mesmo porque estava em uma das fases críticas de não-atualização. Hoje, tiro o atraso. Hoje, cumpro com a maldição do coelhinho.

A maldição consiste em dizer seis coisas que as pessoas não sabem sobre mim. As digo:

a) Eu sou faixa laranja de caratê, embora não pratique há anos.
b) Durante o Ensino Médio, professores e pais de alunos, bem como alguns colegas, me disseram e me tentaram seriamente a fazer Direito. Evidentemente, eu não fui capaz...
c) Uma única vez, quando eu era resenhista de videogames pro jornal da SUCESU, ainda com meus 14 ou 15 anos, eu resenhei um jogo que nunca joguei, o Superman 64. Li resenhas dizendo que o jogo era muito ruim e fiz um texto dizendo isso. É minha maior vergonha jornalística.
d) Embora eu seja resenhista do Pílula Pop, eu não entendo p***a nenhuma de música. Eu não sei dizer o nome de um único integrante do The Doors, do Pink Floyd ou do Deep Purple.
e) Eu pulei de classe na minha primeira aula na Cultura Inglesa, aos oito anos, porque decorei o alfabeto em inglês nesse primeiro dia.
f) Eu sou o dono do cmds.cjb.net; "cmds" é Colégio Marista Dom Silvério, onde passei meu ginásio e meu Ensino Médio.

Vou fazer como a menina mais bonitinha do mundo e não vou repassar a maldição para ninguém.

2) O Jabá - O Pereira fez, o Wagner Artur também fez, o Napoleão talvez tenha feito mas eu não achei. É interessante que o Pereira diz "Esqueci de fazer isso antes" e o W.A. fala "Tinha esquecido de fazer o merchan". Ótimo, fica apenas simétrico que eu tenha esquecido também.

DO QUE ESTOU FALANDO - Do novíssimo blog Representatives of the World, feito por quatro pessoas - um paulista paulistano, um paulista residente na Rússia, um potiguar, e um mineiro (moi). Parece piada, né? "um paulista, um mineiro, um potiguar e outro paulista entraram num bar..."

Confiram o blog, que é sobre simulações de negociações internacionais. É bem mais divertido e bem-humorado do que parece! Dando nome aos bois, ele é feito em conjunto com Napô, Pereira, e Dáblio Á.

3) Esta citação vale a pena. É de um tal Robinson Nelson dos Santos, num comentário feito em 5 de junho no site Comunique-se.

" Eu não tinha opinião formada, então fiz duas coisas: assisti ao documentário irlandês "A revolução não será televisionada" e aos trechos da RCTV no YouTube que, dizem lá, são provas da manipulação daquela emissora em relação ao que sai e o que não sai. Pude observar várias coisas: 1. para os venezuelanos da base da pirâmide, o discurso chavista faz sentido diante dos desafios que a Venezuela demonstra ter hoje; 2. temos mais em comum com a Venezuela do que se pode imaginar; 3. pelas amostras do YouTube, a liberdade de imprensa por lá ultrapassa a irresponsabilidade. De resto, parece que na América Latina (Brasil incluso) não há espaço para ponderações - tudo se transforma num imenso Fla-Flu ideológico. E nossa sorte é que já tivemos o nosso "pai dos pobres". Vargas pode até ser reinventado, mas creio que nunca mais será copiado." "

Selamat tinggal, pessoas.
 

Peixes:
domingo, junho 03, 2007
 























NOTAS & NOTÍCIAS


(originalmente feito pro Jornal Mural FAFICH #123, 1-8 de junho)

Somos todos... USPianos?
Logo após reunião com Lula, o presidente da UNE, Gustavo Petta, anunciou invasões a reitorias de universidades públicas em todo o Brasil, para esta quarta 6. Segundo Petta, a iniciativa é em solidariedade à ocupação na USP, e por mais verbas para a assistência estudantil. Em resposta à terrível ameaça de invasões, o Senado da República vai realizar, na segunda-feira, uma sessão solene - em homenagem aos 70 anos da UNE.

Mucho além da Cicarelli
A licença da RCTV, maior emissora da Venezuela, expirou em 27 de maio, e o canal agora exibe os programas de uma TV estatal. Ainda assim, o telejornal El Observador, que tem três edições diárias, está sendo exibido no YouTube. A decisão da Doutrina Chavez de não renovar a licença da RCTV, que apoiou o fracassado golpe de Estado de 2002, foi criticada por senadores brasileiros como Eduardo Azeredo e José Sarney. O Presidente da Venezuela respondeu: “O Congresso brasileiro está agora subordinado ao de Washington; deveria preocupar-se com os problemas do Brasil”.

EUA e Irã "ficam", mas festa é particular
Os embaixadores americano e iraniano em Bagdá se encontraram em 28 de maio e conversaram por quatro horas para discutir o futuro do Iraque, no primeiro encontro oficial entre os países em 27 anos. Eles concordam em manter as tropas americanas no país e aumentar a participação política e econômica dos sunitas. Resta agora apenas convencer outros atores relevantes, como jihadistas, xiitas, os conservadores de ambos os países, a Arábia Saudita, a Síria e a Rússia.

** Cedê Silva

 

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