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quarta-feira, agosto 18, 2004
 


UNS ROCK SINISTRO
(sic)

As pessoas são obcecadas por novidades. Se você as informar que gosta de uma música que "está tocando esses dias no rádio", elas dirão, sempre que puderem, "mas essa é velhíssima"! Mesmo que a música tenha só uns dois meses.

De fato, uma das coisas mais perigosas na vida social é taxar algo de novidade. Tudo - indubitavelmente - é velho, antiquado, desatualizado, já era, já foi a época, faz um tempão, "ah, meus dezoito anos!" - inda que essa frase seja dita por alguém que inda não tem vinte. Não seja um trouxa, meu amigo. Vou te dar um conselho de amigo, meu amigo. As coisas, meu amigo, envelhecem rápido - muito rápido!

Link, o protagonista de um dos melhores jogos de todos os tempos - The Legend of Zelda - Ocarina of Time - sofre algo parecido. Após viver algumas extraordinárias aventuras aos dez anos de idade, ele entra no Templo do Tempo, onde é aprisionado numa espécie de facho de luz azul. Lá dorme um confortável e profundo sono.

Ao acordar, Link vê-se com dezessete anos.

A imagem deste post flagra o momento exato em que o Herói do Tempo começa a perceber sua nova condição. Está bem mais alto e mais forte - mas não consegue mais empunhar alguns equipamentos que usava quando criança, como seus queridos estilingue e bumerangue. Terá de se acostumar com sua nova condição, empunhar a Espada Mestra e salvar o mundo do reino de terror construído nos últimos sete anos por seu arqui-inimigo (não ponderemos aqui sobre o que ele fez, naturalmente, ao seguir sua curiosidade diante de certas novidades anatômicas).

Hoje eu estava matando aula com alguns bons amigos quando fui contar uma história qualquer. Falei quantos anos eu tinha na época, e por hábito mesmo disse há quantos anos aquilo tinha acontecido.

Mas nisso um dos presentes me chamou a atenção para o fato de que eu havia feito a conta como se eu tivesse 17 anos. Ora, eu tenho 18.

Mas eu mesmo ainda não me dei conta disso muito bem. É certo que meu aniversário é em janeiro, mas eu demoro a absorver certas idades. Eu tive dificuldades para conceber que era tão velho quanto 12 anos, e também aos 15. Só me dei conta quando já tinha feito o aniversário seguinte. É estranho, mas não vi problemas em ter 13 ou 16 anos. Mas algumas idades parecem chegar cedo demais, inda que isso não apresente relação nenhuma com a duração aparente do ano anterior (pois todos sabemos que mesmo anos de 365 dias têm durações muito diferentes).

Em meus dois últimos aniversários, ponderei sobre essas questões. Meus pensamentos devem ter sido parecidos com os de Link no momento em que acorda no Templo do Tempo.

As pessoas obcecadas por novidades, sempre na fissura pela droga do inédito, fatalmente terão também esse momento - claro que, quanto mais tarde ele chegar, maior será o impacto.

Entre nós e Link, entretanto, há uma grande diferença. Ele, sempre que quiser, pode colocar a Espada Mestra de volta no pedestal do Templo do Tempo e voltar a ter seus benquistos dez anos.

Mesmo que tivesse a lâmina cega e um peso desprezível, não seria em nosso mundo a arma mais desejada de todas?

***

O seguinte diálogo é real, com no máximo uma ou outra palavra trocada.

- Mas e aí véi, o cara garrou a mulher?

- Nó, mó catou a mulher.

- E rangou?

- Não rangou ela não, mas rolou uns rock sinistro!

Rock sinistro é agora meu mais novo vício de linguagem.

***

Outra nota sobre o primeiro assunto. Religiosamente¹, eu sigo o ritual de zerar, do começo ao fim, o The Legend of Zelda - Ocarina of Time uma vez por ano. Lançado em novembro de 1998, o jogo nos brinda com uma sensacional experiência a qual me reservo o direito de gastar três dias. Merece ser sempre revista.

***

Duas frases, por mim construídas, que ainda tenho de usar:

"É com este automóvel que me locomovo pelas vias urbanas!"

"À medida que o enredo se desenvolve no desenrolar dos capítulos!"

***

Quando eu for professor vai acontecer assim:

(em tom solene)

" Minha sala de aula não é uma vagina. Portanto, não fiquem entrando e saindo".

***

"Mas é por causa que...", disse o orador, "... os atores são os principais atores no cenário teatral!"


¹ Minha tese é de que "religiosamente" nunca deveria ser sinômino de "rigorosamente", porque afinal existem muitos que se declaram religiosos e sem pudor desacatam vários dos preceitos de suas religiões. Ainda assim, usei o advérbio da maneira usual, porque afinal falo a língua que os outros ouvem, e não um idioma livre de contradições e preconceitos.
 

Peixes:
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