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segunda-feira, maio 23, 2005
 

TUDO DE VIBE

Perdi minha carteira.

Eis uma vida que, se eu não fosse apaixonado por tudo o que faço, seria bastante ingrata. Com agenda apertada e um zilhão de coisas para fazer, ainda surgem os imprevistos para garantir maior overflow ao meu schedule (isto me lembrou aquele pagode do brunch com approach).

Pois segundos depois de ter descido do 2004 nesta segunda-feira, dei falta de minha carteira. Ela escorregou do meu bolso e só percebi com os pés na Antônio Carlos, o ônibus já a dezenas de metros de distância.

Não foi muito agradável. Digamos que subitamente eu parei de sentir frio. E minhas roupas ficaram bastante molhadas.

Inda assim, corri em direção ao ônibus, apenas para constatar que realmente seria impossível alcançá-lo. Saquei o celular, disquei 190. Chama e não atende (olha que perigo!). Numa revendedora de carros ali pertinho, vejo um carro preto da Polícia Civil. Ninguém dentro. Ligo de novo, atende um Coronel ou Capitão com um sobrenome qualquer. Explico pra ele a situação, ele diz que devo ver com a companhia de ônibus. OK, eu não queria mesmo.

Há um ônibus verde parado no semáforo. Me aproximo, o motorista abre a porta. Vejo o número de telefone acima do pará-brisa, agradeço o motô, me afasto do ônibus, ligo. Relato o acontecido para uma voz anasalada. Ela fala qualquer coisa de número de ônibus. Não tenho nenhum número de ônibus, insisto, só sei que é o 2004 que acabou de passar na UFMG. A mulher continua falando de número, meu senhor. Olha, eu não tenho nenhum número, só sei que é o 2004. Meu senhor, ela diz bem resoluta, tou falando do número da linha 2004 que eu posso te passar. Ah, finalmente entendi: ela quer me passar um número, não perguntar pra mim. OK, fala. Arrã. Mais um número pra minha memória de curto prazo. Aperto o botão vermelho no celular, meus dedos digitam o número freneticamente, botão verde. Explico a situação prum cara. Ele está na cabine, no ponto final do ônibus. Ahn. Ele diz que o carro deve chegar dentro duns 10 ou 15 minutos. Arrã. Que vai checar o ônibus quando ele chegar. OK, obrigado.

Longos minutos se passam. Minha nossa, tirar segunda via de tudo aquilo, já imaginou? Perder o Press Pass e mais algumas lembrancinhas que estão lá dentro. Ticket, dinheiro, vales de cantinas e restaurantes. Sem falar na própria carteira. Putaquepariu, trazer essa notícia pra casa. Odeio ser culpado. Odeio trazer más notícias.

Ligo de novo. Acharam? O ônibus chegou. Ligue em 2 ou 3 minutos que a gente vai ver.

Espero 4 minutos. Não toleraria um erro acidental.

Acharam? Achou, achou. Vem pegar. Ele se recusa terminantemente a dar o endereço de forma simples e concisa. Com muito custo fala o nome da avenida, mas insiste que eu pegue outro 2004 e pronto. É o que faço. Uma pena que eu não faça a mínima idéia do trajeto do ônibus depois do ponto em que desço. Consumo longos e quentes minutos andando. Pelo menos acharam a carteira.

Vejo um 2004 subindo uma longa e íngreme rua. É tarde demais para pegá-lo, mas eu subo na esperança de que outro passe. É o que acontece logo depois. O bondoso motorista pára o carro, completamente vazio, num local completamente fora de qualquer ponto. Explico a situação pro trocador e ele diz que beleza.

O ônibus faz um longo e tortusoso trajeto que passa por uma bela vista da Lagoa da Pampulha.

Finalmente, estaciona perto de uma cabine branca. Chego lá. Me apresento ao homem que está no guichê. Ele me entrega a carteira... esperançoso, eu a abro... vazia. Limparam minha carteira.

Claro, os documentos ainda estão lá. Identidade, a suadíssima CNH, o CPF, carteira da PUC, Unimed, Press Pass, tudo. Mas nem sinal do Ticket, e nenhum dinheiro... não, espera. Pegaram as moedas grandes, mas deixaram 40 centavos. Claro, senão aí sim seria sacanagem. Também deixaram os anéis laranjas de latas de Coca-Cola e os vales de cantinas e restaurantes. Ufa, menos pior.

Explico pro motorista gente boa que não vai dar pra pagá-lo. Ele diz que tudo bem. Chego pro motorista do 2004 que vai partir no sentido contrário e peço carona. Ele diz também que tudo bem, desde que eu entre pela porta do meio. OK.

Perdi toda a minha aula de Teoria da Comunicação, mas ainda consegui presença e também descobri solidariedade na minha sala da UFMG, o que - francamente - me surpreendeu. De uma boa maneira, claro.

***

Terça-feira. Semana só começando. Mato aula de manhã para ler textos necessários para fazer um trabalho. Mato aula à tarde para fazer o trabalho em si. São catorze horas e na maior placidez e serenidade digito linhas no Word. À noite já está planejada: farei com meu grupo o Power Point para apresentar um trabalho na quinta.

Ou não. Meu trabalho é interrompido pela vibração do celular. Susto.

"Cedê, o trabalho é hoje. Vem pra CUP correndo."

Putaquepariu!

Quanto tempo tenho até o horário de apresentar? Uma hora, mais ou menos. No way que posso confiar no 4111! Vou pegar um circular que pare no cruzamento da Amazonas com a Contorno e de lá alguém me pega de carro. Combinado.

Mantendo a serenidade, saio de casa e ando pela Contorno. Numa rápida entrevista com um motô, descubro que não é qualquer "SC" que pára no cruzamento que eu quero. Que bosta. Ando vários quarteirões até aparecer um "SC01". Ao contrário do que eu pensava, eles não circulam a Contorno. Eles adentram por onde bem entendem. Eu heim.

Desço no cruzamento. Acho um Chevrolet que penso ser o do Igor. Me aproximo, mas ele se afasta. Não era ele. Hmmm...

Um Ford Fiesta preto sobe a Amazonas buzinando alegremente. Arrá.

Entro no carro. Eis ele: Igor Vidal, o Lanterna Verde. Há poucas horas, ele estava em Londres. Sério mesmo. Veio voando.

"Novamente o trabalho nos une, Lanterna".

"Pois é, Batman".

Enquanto avança com desenvoltura pelo pesado trânsito amazônico, Lanterna conta de suas aventuras londrinas. Às 15 e pouco, Mulher-Gavião me liga. "Chegamos em três minutos", digo.

Chegando lá, deixo minha pasta na sala de aula e rumamos pra sala multimeios do prédio de Geografia, onde será a apresentação.

Nervoso, cansado, ofegante, reviso minhas anotações e sento-me para a apresentação do trabalho.

Nunca vi slides tão lindos.

O trabalho é um sucesso. O professor adora. Major high. Maior barato.

Só mesmo com uma equipe de super-heróis.

***

Mas aí eu descubro que perdi minha pasta.

***

Ela simplesmente tava na mochila do Castor. Ufa.

***

Passei a madrugada de terça para quarta terminando o trabalho que foi interrompido por essa coisa de super-herói. Às 5:15, termino o trabalho que é pra ser entregue 9:30.

E na noite dessa quarta, com as pálpebras pesadas, jogo o bom senso literalmente pro espaço e vou ao cinema: oportunidade imperdível de pegar a estréia mundial do Episódio III.

E que filme!

A expressão de dor de Mestre Yoda, a destruição hipercarregada de significado do Senado Galáctico, Obi-Wan e Padmé tendo o coração arrasado por Anakin, a beleza de Kashyyyk, a trágica Ordem 66, a entrega dos bebês Luke e Leia para seus lares, mestre Yoda frenetizando com seus would-be executores... tudo é deslumbrante. OK, a atuação não é lá essas coisas. Mas o filme é muito bom.

E tudo por quatro Reais.

***

A quinta eu matei aula nas duas faculdades para 1) dormir! e 2) estudar pra temidíssima prova do Fronofre na sexta.

***

Na sexta eu fiz a prova do Fronofre. Precisa de mais? Saí com a mão suada, doendo e vermelha.

Ah, eu fui num certo evento social também. Mas este blog não é diário.

O evento produziu uma boa comparação: Teoria II não é difícil, o problema é que o Fronofre. Como Poções: não é difícil, mas é o Snape quem dá.

Entenderam?

***

E a sua semana, como foi? "Ah, foi legal"? Pois é. Já imaginava.
 

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