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quinta-feira, dezembro 16, 2004
 

ESTADOS UNIDOS

Eventos recentes encheram-me de inspiração e idéias. Algumas talvez sejam autobiográficas demais para figurarem neste blog - que, como já reiterado, não é um diário - mas talvez uma ou outra historieta seja publicada nos próximos dias.

Nas últimas semanas, ocorreu uma falta de registro de novas idéias para textos. Isto não quer dizer que elas não tenham surgido - apenas que eu as esquecia antes de registrá-las. Elas teimam em surgir em momentos inconvenientes, como quando estou morrendo de sono ou andando no meio da rua, e não raro consigo convencer a mim mesmo de que em breve lembrarei da idéia porque o assunto é um dos quais penso várias vezes.

Assim, mantive o blog em tempos recentes com as idéias que estão no banco - isto é, num documento .txt que guarda algumas dezenas de sentenças que nunca viraram textos desenvolvidos. Para impedir que o banco se esgote - o que seria para mim uma verdadeira catástrofe¹ - a solução esperada é fazer uso das idéias que surgem enquanto se escreve, que compõem boa parte do conteúdo do DOIDIMAIS CORPORATION.

Falando em idéias que surgem enquanto se escreve, já existe um outro debate neste blog além daquele do diário x não-diário (a palavra diário usada aqui no sentido de diary, não de daily, percebem? Daily isso aqui nunca vai ser). Diz respeito ao fluxo de consciência. Um leitor do DOIDIMAIS CORPORATION disse que sou um ótimo escritor "stream of consciouness"; por outro lado, uma leitora afirma veementemente o contrário. Quem estará com a razão? Fica a pergunta.

De qualquer forma e felizmente², a eventful week que acabou de passar provou-se muito frutífera³ para a construção de novos textos, incluindo uma crônica full-fledged que não demorará (MUITO!) a aparecer aqui.

***

Sempre foi prática no DOIDIMAIS CORPORATION, toda vez que como imagem de post é usada a bandeira de um país, justificar abertamente seu uso - ao contrário das outras imagens, que nem sempre têm ligação direta com o escrito, e, como sempre explicado, revelam direta ou indiretamente algo do momento na vida do autor. As imagens postadas um mês antes do Natal, por exemplo, revelam todas objetos de desejo (embora nem sempre diretamente - não vão pensar que eu quero Robert Mugabe, e sim que eu gostaria de discursar na ONU um dia).

A bandeira dos Estados Unidos da América foi usada por causa de reflexões recentes. Este ano observei três MUNS; portanto, três delegações dos Estados Unidos.

Em Brasília, em julho, os EUA eram de alunos mais velhos da PUC-Minas, alguns com os quais já tive o prazer de sair, graças aos esforços de integração de uma certa garota. Vários deles ganharam prêmios, e a turma ficou como a melhor delegação do evento. São alunos brilhantes, realmente.

Em Belo Horizonte, em setembro, os EUA eram de alunos do Ensino Médio do Dom Silvério. Fonte de inúmeras frustrações e reclamações, esta delegação demonstrou o que eu já sabia: meu ex-colégio ainda tem muito chão a percorrer, não apenas no que se refere a atividades extra-classe que realmente ensinem (revogadas as excursões idiotas de análise de rochas), mas também no combate à hegemonia do "pensamento" escolar (quase todos os alunos do Dom Silvério que tenham alguma orientação política são socialistas guevaristas marxistas de esquerda).

Em São Paulo, neste dezembro, os EUA eram da Universidade de Brasília. E putz, como eles são bons. Tem um certo delegado que teve discuros lendários. Uma briga desse pessoal com o da PUC-Minas seria formidável. Ah não, espera, ela já aconteceu, no Chal... - ops, não, esqueçam. Piada interna não divulgável. You don´t talk about the Fight Club.

Respondendo ao comentário que surgiu antes d´eu colocar o texto aqui: agora em São Paulo eu representei o Reino Unido (o grande ódio do meu Zimbábue!), mas como a bandeira britânica já foi colocada em outro post, e havia algo para se falar dos EUA, assim foi feito.

Com esta, já são três os P-5 com bandeira colocada aqui. "Mas o que é um P-5?", pergunta você. Respondo:

Um P-5 (pronuncia-se pí fáive, e não pê cinco) é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Atualmente, eles são: Estados Unidos da América, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, República Francesa, Federação Russa e República Popular da China.

"Mas se são permamentes, por quê o atualmente na frase?", você pergunta. Explica-se: ao contrário do que acaba se afirmando, já ocorreram duas modificações nos assentos permanentes. O assento da Federação Russa foi herdado da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em 1991. E vinte anos antes, um dos membros permanentes e também um dos fundadores da ONU - a República da China - foi expulso e prontamente substituído pela República Popular da China, graças ao bom trabalho dos representantes do mundo na digníssima Assembléia Geral - que muito espertamente passou a Resolução 2758 como questão de credenciais e não de membership. Assim, a República da China não pôde usar seu veto para impedir a expulsão.

Nos dias de hoje, reserva-se o nome de Taiwan para se referir à República da China; e China mesmo é a República Popular da China. O insignificante Taiwan tem 22 milhões de habitantes e renda per capta de 18 mil dólares. É, coisa pouca mesmo.

***

Eu dizia outro dia que ando jogando Super Mario 64 enquanto ouço música eletrônica que não é a do jogo. Dizia que isto trazia à tona um tópico delicado. Explico.

Most sincerely, ouvir outra música que não a do próprio jogo enquanto se joga é como colocar adoçante no vinho. Um pecado mortal - é tentar adicionar-se valor a algo duma forma que acaba desvirtuando completamente a essência da experiência original. É claro que isto é tão mais ou menos válido de acordo com a qualidade do jogo e da trilha sonora. Ouvir Usher, 50 Cent ou Los Hermanos enquanto se joga Chrono Trigger é colocar Zero Cal numa taça de Romaneè Conti. Colocar The Underdog Project para jogar um clone vagabundo de Tetris já pode valer a pena.

A música em um jogo é parte fundamental da experiência, e um jogo de qualidade invariavemente vem acompanhado de uma excelente trilha sonora, apreciável mesmo fora do jogo. Se tem gente que curte ouvir outra coisa enquanto joga, mesmo no caso de trilhas sonoras formidáveis, que seja, bom para eles; também deve ter gente que coloca açúcar no Black Label ou no Moët Chandon.

Mas por quê eu então jogo Super Mario ouvindo Better Off Alone e outras atrocidades? Explico: eu já zerei o jogo várias vezes e conheço a trilha sonora de cor. Eu nunca me atreveria a experimentar um jogo sem antes ter pós-gradução na sua trilha, a menos que ela seja realmente ruim. Seria como ser desses que salgam a comida antes de tocar os talheres.

Resta também o fato de que o custo de jogar enquanto se ouve outra coisa é o mesmo ou praticamente o mesmo, enquanto bebidas e adoçantes são recursos escassos.

Um amigo meu, discutindo este tópico, propôs um excelente argumento contrário: jogar enquanto se ouve seria uma maneira de adicionar algo à experiência da música. Ou seja, mais do que ouvir sua banda, você gasta o tempo jogando e vivendo aquela música com uma outra atividade. De fato, um ótimo argumento, e totalmente verdadeiro: eu realmente aproveito muito mais o momento de ouvir minhas músicas se o passar jogando.

Mas mesmo sendo correto, o argumento é contraditório. Com o quê? Com a analogia.

Afinal, colocar Zero Cal no vinho é uma maneira de adicionar valor à experiência de se consumir o adoçante?


¹ A qual pode perfeitamente ser evitada: poucas idéias restando no banco, para-se de escrever. Fim.

² A sentença ficaria bem usando tanto "de qualquer forma" quanto "felizmente"; fui comedido, pensei bem, e fiquei com as duas.

³ "Provou-se muito frutífera" é um dos meus clichês. Sim é clichê, mas é meu.
 

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