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sexta-feira, dezembro 24, 2004
 

E QUE TODOS TENHAM UM FELIZ NATAL

As pessoas falam e falam dos pastores protestantes, mas a verdade é que eles são excelentes administradores. Vejam aquela obra monumental across - ops, digo, em frente - ao edifício JK, aqui em Belo Horizonte - que dizem ser o maior templo protestante da América Latina ou coisa parecida. Ficou pronta em questão de meses, e é muito maior que o Diamond Mall e semelhantes. Sem desvio de verba, sem CPI, sem atrasos, sem nada.

Além do mais, o templo não ofende os olhos. Não é lá o primor da estética - não nos deixou nem um pouco mais próximos de Roma, Veneza, Paris, ou mesmo de São Paulo - que recentemente tive o prazer de revisitar para finalmente descobrir que se trata, sim, de uma cidade linda. Mas é bem legalzinho, é quase como ter uma wonder do Age of Empires 2 (ou no caso, 3) bem aqui em Bê Agá - se não pela beleza, pelo menos pelo gigantismo do templo.

Ontem mesmo pensei em fazer um documentário sobre o templo, uma coisa invasiva tipo Michael Moore. Mas não satisfeito, pensei numa série de documentários sobre construções famososas de Bê Agá. Começará com uma série de três, sobre as enormes diferenças entre três prédios muito próximos - o JK, o Templão, e o Diamond Mall. Mas é Natal, então não falemos mais de trabalho.

***

Como todos sabem, o Brasil é um país hipócrita. É claro, é muito fácil acusá-lo disto - visto que todo jovem que se acha conscientizado o faz. Além de - claro - manifestar outras grandes e nobres aspirações políticas, como usar camiseta do Che Guevara, xingar George W.Bush, odiar Diogo Mainardi, e se achar muito inteligente por não concordar com tudo o que Michael Moore fala.

Deixem-me então justificar adequadamente a primeira frase do parágrafo anterior (rotulada pelos burocratizantes professores de português do Dom Silvério como tópico frasal.) O Brasil é um país hipócrita porque viola vários artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que ele mesmo assinou em 1948.

"Article 3.

Everyone has the right to life, liberty and security of person.

Article 7.

All are equal before the law and are entitled without any discrimination to equal protection of the law.All are entitled to equal protection against any discrimination in violation of this Declaration and against any incitement to such discrimination.

Article 12.

No one shall be subjected to arbitrary interference with his privacy, family, home or correspondence, nor to attacks upon his honour and reputation. Everyone has the right to the protection of the law against such interference or attacks."

O desarmamento da população civil fere todos esses artigos. Fere o terceiro, porque retira do cidadão um dos mais eficazes meios de garantir por si próprio esse direito. Fere o sétimo, porque pessoas privilegiadas continuarão desfrutando do direito a porte de armas enquanto o cidadão comum tem que depender da polícia do Brasil (muuuito eficiente, como foi demonstrado nos últimos vinte anos com os trezentos mil homicídios, fazendo deste o país mais violento do mundo) para manter sua vida e sua propriedade. E fere o décimo-segundo, porque remove do cidadão a "proteção da lei contra tais interferências ou ataques", visto que se usar uma arma para se defender de bandidos terá de se justificar para o Estado.

O Brasil violou e continua violando o Artigo 19 em inúmeras ocasiões:

"Article 19.

Everyone has the right to freedom of opinion and expression; this right includes freedom to hold opinions without interference and to seek, receive and impart information and ideas through any media and regardless of frontiers."

Com a onipresença absoluta de uma mesma corrente de pensamento em escolas, universidades, e - principalmente - órgaos políticos, de grêmios e associações estudantis aos partidos que mandam neste país, não parece haver - ou melhor, não há - muito espaço para quem nada contra a corrente. O único refúgio dos anti-socialistas, anti-coletivistas e verdadeiramente anti-conformistas (e olha que isso não significa cegamente abraçar a Direita) parece ser a Internet - no máximo, dois colunistas no Brasil têm algum espaço na raça jornalista impressa. Esses dois, cujos nomes nem precisam ser ditos, têm um gigantesco séquito de odiadores e são tratados nas universidades como bobões e/ou babacas. No excelente Colégio Marista Dom Silvério, ensinaram-me que um é sempre irônico - portanto não devemos levar o que ele fala a sério, já que ninguém pode realmente pensar aquelas coisas terríveis. E sobre o outro, filósofo e professor que já publicou livros incríveis, que escreve com um estilo saboroso e tem formidável erudição, nunca mencionaram - é como se não existisse. Muito mais importante preparar para o vestibular do que para um pensamento crítico de fato.

E a raça jornalista brasileira não ajuda a cumprirmos o artigo 19, com sua subserviência completa aos órgaos de imprensa estrangeiros que também estão mergulhados em sua corrente de pensamento. O tratamento dado às eleições americanas deste ano é um flagrante desrespeito não apenas aos princípios jornalísticos mais básicos, mas também a um dos direitos humanos universais.

E como se não bastasse, ainda querem implementar o Conselho Federal de Jornalismo e a Ancinav.

"Article 26.

(1) Everyone has the right to education. Education shall be free, at least in the elementary and fundamental stages. Elementary education shall be compulsory. Technical and professional education shall be made generally available and higher education shall be equally accessible to all on the basis of merit."

Ao implementar as cotas universitárias - e elas estão se alastrando, seja no Rio de Janeiro (UERJ), Brasília (UnB) ou aqui perto de casa (UEMG) - o Brasil, corrupto e demagogo, novamente desrespeita os direitos humanos. Não faltam defensores dessa causa bárbara e embrutecida de empurrar academia adentro estudantes menos preparados simplesmente por causa de uma "dívida histórica" completamente impossível de avaliar num país com mestiços para todos os lados. Uma causa que já está causando problemas na UERJ e que apenas alastrará ainda mais problemas para o resto do País, afundando de vez a nossa já combalidíssima educação.

Mas considerando a corrente de pensamento que domina hoje o Brasil, até que não é de se surpreender esses desrespeitos todos. Como sabem, quando foi aprovada na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos contou com 48 votos a favor e 8 abstenções. Não poderiam ser mais simpáticos ao nosso Brasil e aos nossos demagogos esses que se abstiveram: BieloRússia RSS, Tchecoslováquia, Polônia, Arábia Saudita, Ucrânia RSS, União Sul-Africana, Iugoslávia... e a queridíssima e boníssima União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

***

Boa noite, boa ceia.

Que todos tenham um Feliz Natal.
 

Peixes:
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