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domingo, março 14, 2004
 
AS CONTRADIÇÕES DA ESQUERDA

- Frederico “Cedê” Silva

Esquerda. Esta é a denominação geral de um grande englobamento de crenças e ideais. No Brasil, ser de esquerda é a regra. Nas faculdades e nas escolas, a predominância do esquerdismo é esmagadora. Ser de esquerda é ser a favor da “justiça social”, da reforma agrária, da defesa do meio ambiente, da intervenção do Estado na economia, do aborto, e, claro, do socialismo. Ser de esquerda é ser contra a globalização, o imperialismo estadunidense e o capitalismo.

Obviamente, num cenário educacional que carece de um debate amplo, ou seja, um sistema de educação ao qual falta uma “tensão ideológica” (para usar um termo cunhado por um Ministro de Lula), as várias contradições presentes em meio aos ideais esquerdistas passarão despercebidas. Com efeito, a dominação da Esquerda é tamanha que no Brasil ser de direita é palavrão. Construiu-se um maniqueísmo falso no qual ser de esquerda é ser “do Bem”, e ser de direita é ser “do Mal.” Faz-se necessário, portanto, um maior esclarecimento em relação a certas contradições da Esquerda, com vistas a criar tensão ideológica por meio da exposição das vulnerabilidades do lado dominante. Afinal de contas, como diz Millôr Fernandes, “desconfiar é progredir”.

Uma terrível e recente contradição dos esquerdistas pôde ser observada recentemente: os vermelhos afirmam com toda a convicção que o ataque liderado pelos EUA ao Iraque tirou a legitimidade da ONU, por ter sido realizado sem o seu aval. Ora, ao fazer isso ignoram completamente os fatos: a ONU, desde a sua criação, autorizou apenas duas guerras: a da Coréia (1950) e a do Golfo (1991).

Ou seja, para a Esquerda a invasão da URSS à Hungria (1956), a construção do Muro de Berlim (1961), o ataque soviético ao Afeganistão (1979) e o ataque de Egito e Síria a Israel (1973) nem arranharam o poder da ONU, mas se a ofensa é liderada pelos EUA, aí sim a legitimidade das Nações Unidas é contestada.

Ainda em relação à ONU, destaco uma outra falácia esquerdista: a premissa de que as Nações Unidas são controladas pelos EUA. Ora, tal bobagem obviamente não é verdade, do contrário Colin Powell teria convencido a Organização a apoiar a intervenção no Iraque, e o que mais fosse interessante para os norte-americanos. Como não é essa a realidade, descarta-se mais uma idéia dos guevaristas.

Talvez a mais interessante das contradições seja aquela a respeito dos movimentos anti-globalização. Tais movimentos, ao formarem protestos nos quais pessoas de todos os continentes se unem em um mesmo ideal, constituem uma das mais globalizantes forças que existem. Isto é no mínimo curioso.

O xeque-mate na defesa do socialismo é dado por uma constatação da organização tão louvada pelos marxistas: a velha ONU. Observando-se sua listagem comparativa de IDH- o Índice de Desenvolvimento Humano, valiosas lições podem ser aprendidas. Por exemplo: tomemos dois frágeis paisezinhos da América Central, ambos sujeitos ao terrível imperialismo ianque. Coloquemos em um uma boa dosagem de capitalismo; no outro façamos uma experiência socialista. Qual deles terá o maior IDH? Ora, a resposta é clara: Costa Rica tem mais IDH que Cuba, o país-modelo dos socialistas. E nem precisamos falar da comparação entre Brasil e China: ambos são países de grandes dimensões e histórico de colonização, mas o socialismo deixa a China a mais de trinta posições atrás do Brasil no IDH. Isso sem falar em Coréia do Sul versus Coréia do Norte, Portugal e Grécia versus países da CEI, etc.

Não obstante, resta o velho vácuo nas obras de Karl Marx. O filósofo que defendeu que a História da Humanidade é a história do conflito de classes cometeu uma falta grave, nunca mencionada pelos seus seguidores: ele jamais definiu, em nenhum dos seus escritos, o que é classe social. Imaginem se Darwin tivesse escrito A Origem das Espécies sem definir o que é espécie: toda a sua teoria iria por água abaixo. Tal rigor científico, entretanto, não é aplicado ao marxista 0001, e quem perde são os desconfiados.

Espero que este ensaio atinja seu objetivo de estimular debates acerca das fraquezas da esquerda, em especial nas escolas.
 

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