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domingo, fevereiro 15, 2004
 
SOFÓFILOS E FILÓPEDOS- ACREDITE, O PIOR PROBLEMA DO ALUNO DO 3º ANO NÃO É O VESTIBULAR

- Por Frederico “Cedê” Silva
doidimaiscorporation@bol.com.br


Consta o termo filo tanto em filósofo quanto em pedófilo. Muito embora toda explicação de ambos os termos traga a informação de que filo é o mesmo que amigo, basta bater o olho para perceber que a conotação nos termos difere radicalmente.

Não entendo muito de grego, mas pela observação destes dois termos se concluiria que prefixos são denotativos, ao passo de que sufixos são irônicos. Tal conclusão não tem rigor científico- é uma generalização baseada em um único par de palavras. Mas, ainda assim, é interessante tirar conclusões sobre pequenos pedaços de Informação, desde que se mantenha em mente que tais conclusões não são seguras: apenas divertidas. O senso comum cultivado pela raça jornalista (meu termo para substituir o asqueroso lugar-comum “mídia”) leva muita gente a crer que não se deve tirar conclusões sobre o que não se entende, deixando essa tarefa para os especialistas. Ora, não há problema nenhum em criar conclusões sobre assuntos dos quais pouco sabemos. Desde que se tenha em mente que a utilidade prática e a segurança da conclusão são inversamente proporcionais à ignorância sobre o assunto.

O que me leva a lembrar que no sistema escolar vigente- dominado, afinal, por senso comum, assim como quase todas as instituições- os alunos aprendem a buscar respostas. Mas não aprendem a refinar perguntas. Não são estimulados a desenvolver sua criatividade científica. Não são expostos a pontos de vista variados. Muito menos são encorajados a tirar conclusões próprias (como esta que tirei acima). E muito, muito menos a ensinar.

Várias vezes já testemunhei professores dizerem que estavam ensinando algo que não era bem verdade, mas teriam de fazê-lo por que é “dessa maneira que se cobra no vestibular”.

Atividades culturais e esportivas são muito praticadas em todos os bons colégios. Mas todas as feiras culturais se esquecem que Ciência também é cultura. Nas vezes em que princípios científicos são demonstrados nessas feiras, os alunos são ensinados a exporem experiências e trabalhos batidos, repetidos. Jamais lhes é oferecida a oportunidade de criar uma demonstração própria de uma lei da Ciência. Imagine quantos modelos e explicações novas poderiam vir das mentes dos jovens. Tais criações poderiam inclusive transformar-se em novos paradigmas didáticos que aprimorariam o ensino em toda a escola.

A pesquisa é uma atividade reservada somente às universidades. Nem em sonho um diretor ousaria colocar os alunos do 3º ano para produzir conhecimento. Nem que fosse só para ver no que dava.

As escolas não põem os alunos para pensar. Jamais pensariam em colocar seus alunos para provar a inexistência do átomo, demonstrar a Conjectura de Goldbach ou desmistificar Guimarães Rosa. A escola se preocupa demais com os dogmas e pouco com o caminho do conhecimento. Ainda que os objetivos do trabalho nunca fossem alcançados, muitas boas idéias poderiam aparecer na busca pelo objetivo impossível.

Os pontos de vista apresentados nas aulas são poucos. As mitologias não-cristãs são tratadas com desprezo. Nunca se expõe o fato de que acreditar em homens com cabeça de animais ou senhores dos trovões não é muito pior que seguir cegamente os dogmas de um carpinteiro que viveu há dois mil anos. Lembro de que uma vez na 5ª série a sala riu quando soube, pela professora, que os antigos chineses promoviam uma grande festa em dias de eclipse, por acreditar que o barulho afastaria o dragão que estava comendo a Lua. Disse então aos alunos que certos homens tacam crianças na água e bebem vinho em ambientes escuros de vitrais coloridos. Eles, claro, soltaram um sonoro “dãr!”. Poder-se-ia dizer que eram apenas crianças. Desconfio de que se o mesmo acontecesse numa sala do 3º ano a reação não seria muito diferente.

E isso sem falar que a predominância do esquerdismo é absurda. Nunca tive um professor abertamente direitista, e daí as chances de que eu nunca tenha tido mesmo um professor direitista são grandes.

Finalmente, os testes vocacionais de pouquíssimos alunos dão a carreira de professor como resultado. Não faço idéia de como as escolas poderiam elevar este número. Mas elas devem buscar uma solução urgentemente. Para alguém que põe a Informação acima de tudo, lecionar é das mais nobres vocações. Uma nação sem uma legião de bons professores e um forte exército (não que o Brasil tenha um) é muito mais frágil que uma nação com professores bons e exército fraco.

Dir-se-ia que o sistema escolar vive apregoado ao vestibular, e portanto exime-se da culpa de todos estes gravíssimos problemas. O vestibular não é um câncer, não é um mal em si. O vestibular não deveria ser usado como bode expiatório por tantos e tantos membros da atividade escolar. Mas as comissões responsáveis pela confecção dessas provas deveriam ter mais consciência do poder em suas mãos e criar provas cada vez mais pensantes. Mais críticas. Mais interdisciplinares. Felizmente, é o que vem ocorrendo ultimamente.

As COPEVEs da vida vem fazendo sua parte. Chegou a hora de os colégios fazerem a deles.
 

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