Jornalista: O senhor lê jornal hoje, Presidente?
Presidente: Eu leio menos do que deveria, e converso mais do que preciso.
Jornalista: Mas o senhor tem o hábito, de manhã o senhor pega o jornal...
Presidente: Tenho não, eu não tenho isso faz tempo, faz tempo. Não é que não dá, é que eu não quero fazer.
Jornalista: Ah, não quer...
Presidente: Eu tenho problema de azia. Eu me cuido profundamente, para não perder o humor logo cedo. Eu começo a minha atividade política tendo meia hora de conversa com o Franklin sobre a imprensa brasileira.
Coitadinho do Presidente! Ler jornais lhe dá azia. Claro, conversar com o profissionalíssimo Franklin Martins ou ler somente Tocantins, Babaquice Capital e Caros Comunistas não seria problema. Aliás, mesmo a Falha de S. Paulo é quase toda digerível para o esquerdista médio.
A entrevista contém tantas pérolas, tantas coisas fantásticas, que vale a pena destacar e comentar alguns trechos.
I) MENTIRA
"Eu, por exemplo, sou um cidadão brasileiro que nunca tive a grande mídia brasileira com preocupação de fazer coisas favoráveis a mim,"
A frase não poderia ser mais mentirosa. Mula obteve, só para começar, o silêncio completo da Lídia por 16 anos a respeito do Foro de São Paulo. Obteve vitórias em duas eleições, sem que sequer seus adversário direto (Serra e depois Alckmin) ousasse lhe fazer perguntas sobre suas relações com Fidel Castro, Chávez e outras gentes boas. Quando Boris Casoy perguntou a Lula sobre o Foro, foi grosseiramente censurado. Mula obtém ainda grande apoio da imprensa, inclusive de veículos grandes; e conta com o silêncio sobre questões importantes.
O uso do adjetivo "grande" na fala de Mula se justifica porque Mula curte somente os pequenos veículos que ele mesmo compra com grana da Petrobras, como a Babaquice Capital; ou os que já são "vendidos" (à causa, porque em tiragem são pequenos), como a Caros Comunistas.
II) CONTRADIÇÃO
O senhor tinha uma coisa que curtia a imprensa, o senhor achava, vamos dizer, engraçado. O senhor disse: “se eu tivesse até mais tempo – eu me lembro disso – se eu tivesse mais tempo eu lia isso com mais vagar”. Hoje o senhor tem tempo, o senhor curte mais, curte menos, como é que é hoje?
Presidente: Bem menos, bem menos.
Mula curte menos a imprensa hoje. Maaaaas:
o senhor sente que a imprensa é melhor ou pior do que o senhor achava antes ou não?
Presidente: Eu não vejo, Mário Sérgio, melhora ou piora na imprensa. Eu acho que a imprensa brasileira tem um comportamento, que não é um comportamento de agora, é um comportamento histórico.
Se a imprensa não melhorou nem piorou, porque Mula a curte menos, hoje? Simples. Porque hoje ele tem de enfrentar na Lídia as conseqüências de seus atos e falas. Não é só perfilzinho de líder sindical e frases de efeito.
III) PROFISSIONAL
Jornalista: Isso não dá para o senhor a impressão de que o senhor pode ter uma visão distorcida, sem (incompreensível)... o senhor não fica muito na mão do assessor?
Jornalista: Mas saber o que está acontecendo no País e no mundo com a população, não é bom o senhor ler (incompreensível)?
Que apuração! Que fineza! A revista não apenas pôs "(inaudível)" em trechos do entrevistado, mas conseguiu fazê-lo nas perguntas do entrevistadoR! Quanto profissionalismo!
IV) ???
Presidente: (...) Há uma predisposição, possivelmente do ponto de vista mercadológico, do ponto de vista... Talvez a notícia ruim tenha mais charme para vender um jornal do que uma notícia boa. Uma notícia boa, normalmente é tida como se fosse chapa branca. Se a revista Piauí fizer matérias falando bem do governo, ela vai fazer uma... Bom, fez uma. Se fizer a segunda... Mas se fizer a terceira, pronto: criou o estigma de chapa branca, e aí é melhor ser neutro. Muitas vezes, na neutralidade, você passa a ser contra...
Este trecho é realmente incrível, daquelas coisas que só Mula é capaz de dizer.
"NA NEUTRALIDADE, VOCÊ PASSA A SER CONTRA...?" Bebeu, Mula? Ops, esqueci que isso é perfeitamente normal para você.
Mas pra Mula tudo faz sentido. Existem dois tipos de jornais: a) os BONS, que falam BEM do governo, mas, coitadinhos, são acusados de chapa-branca; e b) os NEUTROS, que exatamente por NÃO estarem alinhados ao governo, "às vezes" publicam matérias contra o mesmo, e, portanto, são RUINS...
V) TV PÚBICA (sic)
Jornalista: Agora, por que o senhor criou a TV pública? Por que o seu governo criou essa TV pública?
Presidente: Porque eu acho que é necessário.
Jornalista: Por quê?
Presidente: Porque no mundo desenvolvido você tem outras coisas a informar, além daquilo que dá ibope. Eu não posso fazer dos meios de comunicação apenas uma coisa de interesse mercadológico. Nós queremos uma TV pública para informar, para promover debates sobre temas que, certamente, a TV privada não tem interesse porque... Se colocar a televisãozinha na frente do Ibope ali e começar a cair, muda de assunto imediatamente.
Mas Presidente, quem assiste TV não é o povo? Se não dá Ibope, não é porque o povo NÃO assiste? E se a TV Pública está dando traço na audiência - e está - não é dinheiro jogado fora? Dar informação pra quem, Presidente?
VI) MAINARDI
Jornalista: Diogo Mainardi?
Presidente: Eu te confesso que não leio.
Os magnânimos lêem seus críticos. Mula, claro, não quer saber das mil acusações - fundamentadas, documentadas e com fontes explícitas - de Mainardi. Quem quiser que leia Mula é Minha Anta num gole só; está tudo lá, inclusive as coisas que Mula diz estarem sendo apuradas na Justiça. Pra Mula é muito conveniente dizer que não lê Mainardi, ainda que afirme que
Você pode ficar certo de que quando um jornalista importante escreve um artigo que fala do governo ou fala da economia, eu fico sabendo tão rápido quanto ele, que escreveu.
Senhor Mula, Mainardi é o colunista mais lido do veículo mais lido do Brasil. Isso é "importante" o suficiente pra você? Sabia que o Mainardi também não tem diploma universitário, sr. Mula? Devia se identificar mais com ele.
VII) MINO CARTA
Presidente: Eu sou suspeito, porque eu sou muito amigo do Mino Carta. Eu sou amigo do Mino Carta antes da Carta Capital, sou amigo do Mino Carta (incompreensível).
O pior atestado que um jornalista pode receber é o de amigo do Presidente. Jornalista tem que foder o governo (seja ele qual for).
VIII) A AZIA DA VEIJA
Jornalista: Na Veja o senhor não vai é por “desamizade”?
Presidente: Não, não é por isso, não. Eu acho que é uma questão de respeito ético. Eu aprendi a me respeitar. Então, quando um cidadão aprende a se respeitar, aprende com o que eu aprendi, neste país, eu não posso ir a uma festa de uma pessoa que não gosta de mim, eu não posso. Eu não posso visitar a casa de uma pessoa que passa o tempo inteiro falando mal de mim. E olha que o Mino Carta também faz críticas, mas eu tenho respeito pessoal pelo Mino Carta.
A Veija te dá azia, mas a Babaquice não, né? E que "críticas" que a Babaquice já fez ao senhor, seu Presidente? Foi quando te pôs na capa com uma bóia, enfrentando a crise econômica?
IX) MENTINDO NA CARA DURA
O trecho é longo, mas vejam:
É legítimo, ou é bom, que o governo tem que ajudar alguns órgãos de imprensa? Dois exemplos concretos: Caros Amigos tem anúncios de estatais, do governo; Carta Capital tem...
Presidente: Todos têm, meu filho, todos têm.
Jornalista: Mas não no sentido... não no proporcional.
Presidente: Proporcional, mais. Pegue todas as revistas brasileiras, todos os jornais e todas as televisões, pegue... tem revista que esculhambava o governo e a primeira página de publicidade era do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, e nunca houve nenhum problema, porque não é assim que eu trabalho.
Jornalista: Não é assim?
Presidente: O que o companheiro Franklin estabeleceu, e é correto, é a participação em função da questão técnica. O cidadão vai ter proporcional ao que ele pode ter, nem mais, nem menos. Você não pode ter alguém que represente... que tenha uma audiência de 30% recebendo o equivalente a 70%; como você não pode ter uma que tem 10% recebendo o equivalente a 5%. Então, quando você cria critérios técnicos para poder cuidar da publicidade, obviamente que algumas pessoas que mamavam começam a ficar chateadas.
Critérios técnicos? Quer dizer que a Babaquice, cuja tiragem não chega a 100 mil, leva mais de dez páginas de anúncios da Petrobras toda semana (eu contei, não vem que não tem), enquanto a Veija, que tem 1.4 MIÃO (sic) de exemplares, pode ficar meses sem anúncio do governo federal, e isso é TÉCNICO?
X) CONTRADIÇÃO DE NOVO
Se alguém acha que vai escrever um artigo “descendo o pau” e que eu vou ficar nervoso, que eu vou ficar com azia, que eu vou...esqueça.
Mas Mula, você não acabou de dizer que..
XI) MEDO
Presidente: Eu acho uma loucura alguém que exerce um cargo político ficar uma semana, totalmente desnudado, diante de um jornalista, porque podem acontecer coisas muito agradáveis e podem acontecer coisas desagradáveis.
Tautologias à parte, vejam como Mula tem medo de um pobre politicozinho ser desnudado por um tarado jornalista.
XII) O AUTORITARISO DE BRINCADEIRINHA
Presidente: Ontem, quase que eu tiro o sapato para jogar na imprensa.
Mula já brincou com a idéia de tacar sapato antes. A frase revela autoritarismo. Quem espanca o governo é a imprensa (e o povo). O contrário, nunca.
XIII) A GRACINHA ASSASSINA DO JORNALISTA
Jornalista: Ótimo, Presidente. Muito obrigado. O senhor vai encontrar com o Raúl Castro, não é?
Presidente: Raúl Castro.
Jornalista: O outro era melhor, né? Vou fazer intriga aqui.
Presidente: Eu gosto dos dois.
*voz de bicha* Ai que gracinha! O Fidel que matou 17 mil no paredão era melhor, né? Aiém, hihihihih...
Notem também que Mula não gosta da Veija, mas gosta dos irmãos Castro. Eles são tão adoráveis, não é mesmo? Gente finíssima.