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segunda-feira, março 23, 2009
 
A POLÍTICA DOIDIMAIS DE PRIVACIDADE

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Peixes:
sexta-feira, agosto 01, 2008
 

OLHA A BABAQUICE MÚLTIPLA!

Do G1:

"Lançada originalmente entre 1986 e 1987 pela DC Comics, "Watchmen" é uma série em 12 capítulos que mais tarde foi compilada em uma graphic novel. Ambientada nos anos paranóicos da Era Thatcher e da Guerra Fria (...)"

QUATRO babaquices:

1) colocar "Era Thatcher" logo depois de "anos paranóicos". Isto associa Tatcher aos anos paranóicos, como se ela não tivesse nada com que se preocupar.

2) colocar "Era Thatcher" antes de "Guerra Fria". Como se a primeira fosse mais característica ou famosa que a segunda, e certamente não é.

3) colocar "Era Thatcher". Watchmen se passa inteiramente nos Estados Unidos, exceto por cenas na Antártica e em Marte (!). Não há cenas ou menção ao Reino Unido.

4) colocar "Era Thatcher". Em Watchmen, Richard Nixon está em seu quinto mandato em 1985. Não há menção a Tatcher, não é possível saber se ela existe ou se é PM no quadrinho. Pode muito bem ser, portanto, que nem sequer exista "Era Tatcher" no universo da HQ.

VEJAM O QUE A SANHA ANTI-TATCHER, ANTI-"NEOLIBERAL" PODE FAZER COM O JORNALISMO QUE VOCÊ LÊ

 

Peixes:
quarta-feira, junho 04, 2008
 
TCHAU, VOVÔ

Meu avô que perdeu a memória nos deixou hoje, quarta-feira.

Não estou realmente triste, não tínhamos uma relação muito próxima. E claro, não nos falávamos propriamente há muitos anos. Meu pai está aliviado porque acha que agora vovô pode descansar.

Era meu último avô.

Em minha família não se deu a maior expectativa de vida das mulheres. Foram meus vôs que viveram vários anos como viúvos antes de partirem.

Tchau, vovô Geraldo.
 

Peixes:
segunda-feira, maio 19, 2008
 
A HOMENAGEM AO PAI DO FEIO

O Google modificou o logo de sua homepage no dia 18 de maio para homenager o 125º aniversário do arquiteto alemão¹ Walter Gropius, morto em '69 (como visto acima).

Eu não tinha idéia de quem era Gropius, mas vendo algumas de suas obras...




... pude apenas concluir que elas foram a inspiração para os toscos prédios da UFMG, e prédios universitários em geral:

ICB - Local com variados cheiros ruins, e muitas abelhas na cantina


FAFICH - Local com variados cantos fedendo a maconha e muitos gatos


IGC - Palco de confrontos entre policiais e estudantes igualmente educados.

***

¹ Gropius era mesmo alemão e não prussiano, já que o Império Alemão unificou em 1871 e ele nasceu em 1883, doze anos depois.
 

Peixes:
segunda-feira, março 31, 2008
 
ENTREVISTA COM ZÉ DO CAIXÃO

Sim, eu entreviste o Mojica!

Foi no Palácio das Artes, aqui em Bê Agá. Segue abaixo a EXCLUSIVA com ele.

Cedê Silva - Zé, de onde vem esse fascínio pela morte?

José Mojica Marins - Olha, eu acho que não é bem um fascínio, eu diria que é realmente um medo. Não um medo eu de morrer. Eu tenho sete filhos, onze netos, vêm mais netos por aí, podem vir mais filhos, né. Então eu vejo assim a morte num momento que não vai deixar eu ver o futuro, a vida de cada neto. E pessoas que dependem de mim estarem sem problema nenhum. Então isso me mete medo, d’eu morrer e deixar isso. Por isso que eu digo às vezes que eu não tenho medo do agora, eu vivo o agora, mas meu maior medo é o dia seguinte, que pode ser a morte. Ou o momento seguinte.


Tou falando contigo, de repente saio, posso ser atropelado, levar uma bala perdida, sei lá. Então o medo que eu tenho é das pessoas que eu deixo aqui. Eu me acho assim sucedido na missão minha de cinema, consegui o que eu queria, fiz, entende. Agora, eu acho que posso falar bem da forte porque em ‘76 tive uma parada cardíaca de quatro minutos. Fui considerado morto, o coração parou, né. E anunciaram até minha morte nos jornais, tal. Então com a volta minha eu vi coisas fantásticas. Ao menos nesses quatro minutos, eu senti muita dor. Então eu posso garantir que a dor – não adianta o cara dizer “não, eu quero morrer dormindo” – a dor vem naquele segundo. “Eu quero que um raio me caia e eu morra rápido”. Um tiro na cabeça, eu morro depressa. Mas aquele segundo que demora pra você morrer é uma dor. Terrível.

Então eu posso garantir que se as pessoas puderem protelar a morte o máximo possível, é melhor. A morte não é legal, você vê um cara, “não, eu não temo não sei o que lá”, tira um .38, põe na cabeça dele, um .22, ele tá morrendo de medo. Cara tá morrendo de dor, num hospital, você diz: “você vai morrer”, “não quero morrer”. Então ninguém morrer. É sinal de que do lado de lá as coisas não são legais.

Pessoal fala “num sei o quê, porque falei com os mortos”. Eu não acredito muito que ‘cê fala com os mortos. Porque se fosse isso eu sou um dos maiores pesquisadores de fatos estranhos. Casas mal-assombradas, sou chamado; surge num-sei-o-quê-lá em Varginha, lá vou eu; enfim – o bebê-diabo lá fui eu desvendar; vampiro num-sei-da-onde me chamam pra desvendar, e tudo mais ou menos baseado em morte. Agora, de tudo: eu vi gente levantar no velório do caixão, retratei isso em Finis Homini. Mas ele não estava morto, ele tinha tido catalepsia. Já acompanhei enterro que de repente soltaram o caixão no meio do caminho porque estava mexendo alguma coisa – era o cara com catalepsia também, que podia ser enterrado vivo. Agora, não vi ninguém, aí dizer que essa pessoa voltou da morte é mentira. Entende. Senão eu também tinha voltado da morte. Agora, o problema é que eu não vi ninguém em decomposição se levantar duma sepultura (faz efeito sonoro) e vir dizer: (voz de zumbi) “eu tive lá”. Não há.

Você pode ver aquilo que eles dizem “espíritos”. Mas é uma mentira muito grande. Porque a nossa mente, a nossa força – você sabe que a nossa voz sai e fica presa no nosso sistema. Por um bom tempo. Da mesma forma que a nossa voz fica presa, a nossa imagem fica presa. Eu tô conversando com você agora, tou sentado, ocupei um espaço, mas a minha essência ficou aqui. Pode ser que um dia alguém venha aqui e vá me ver aqui. Mas eu não vou fazer nada. Pode ser que me vejam depois que eu morrer. Às vezes essa essência fica por vinte, trinta, qüarenta, cinqüenta anos. Por exemplo, minha mãe morreu. Eu tinha visto ela três vezes vindo, me benzendo, como ela fazia, e saindo pra cozinha. Falei com várias pessoas, principalmente com uma cearense que morava na minha casa, de favor. Ninguém acreditou. Mas uma dia essa cearense ficou assustada, porque viu comigo. (voz assustada) “Olha! É a sua mãe!” Eu falei: “ó, fica calma, ela não vai fazer nada. Ela vai vir, vai olhar o quarto, vai me benzer e vai pra cozinha”. Então fica repetindo aquelas coisas, que na verdade são essências nossas que ficam. Então a pessoa pode ver um pai, pode ver a esposa, pode ver um filho, mas não adianta pedir nada pra eles. Eles não vão te ajudar em nada, porque são as essências deles que ficaram e podem aparecer pra você à noite, e você achar que você viu. “Não, eu vi espírito do outro mundo”, não. Você viu o que já tá aqui na Terra. É a nossa essência positiva, as radiações ficam aqui. Então isso existe.

Agora, pra que lado você vai, será que tem uma reencarnação. O que se diz de reencarnação, é muita gente falando. E também não sou muito, é, não quero dizer que sou ateu, mas não creio muito nesse troço que cê vai e vai voltar pra cá. Pô, isso aqui é um satélite experimental tão pequeno. Cê vai voltar exatamente pra cá, tendo um universo tão grande? Nós já somos egoístas em achar que só aqui tem vida. Então eu acho que pode ser que a gente vai, sei lá, pra um mundo paralelo, vai pruma outra dimensão, ou vai até pra outro planeta em outra galáxia, mas não acredito que você volta mais pra Terra. Foi, foi. Não volta mais. Não dá pra atender pedido nenhum. Agora, se é bom do lado de lá... (pausa) não sei. Pode ser que seja bom porque ninguém voltou pra falar.

Cedê Silva - O Zé do Caixão tem uma visão diferente da do Mojica sobre a morte?

José Mojica Marins - É, ele (Zé do Caixão) já acha que existe vida em outros planetas. Vê isso um caminho elevado, uma tecnologia muito elevada em outros planetas, e ele acredita em outra coisa eu acho que diferente do Zé (Mojica). Ele (Zé do Caixão) acredita na hereditariedade do sangue. Ele acredita na mente dele, por isso ele procura uma mulher que realmente não ame e nem odeie. Que pense como ele. Ele tendo um filho com ela assim, esse filho nasceria com o pensamento dele. Nascendo como ele, ele seria eterno. Esse filho daria vazão a outros filhos, né, poderia ter dois, três filhos, e daria vazão a outros netos, bisnetos, tataranetos e assim por diante, então ele ficaria para sempre. Então ele acredita na mente: que se a mente dele ficar, ela pode vir através do sangue e por isso o negócio dele é a Lei do Sangue. Nisso ele acredita demais e procura uma encarnação para fortalecer bem essa ideologia, essa filosofia de vida dele. Ele acredita nisso.

Não acredita em espírito de espécie nenhuma. Agora, em seres extraterrestres ele acredita, e acredita que pode ter uma evolução em um outro planeta das pessoas em vez de viver setenta, oitenta, cem anos, possam viver até quinhentos anos, ou mil anos. E possa ter algum lugar que de repente seja quase eterno. Eterno ele acha que jamais seria, mas poderia ter um modo de vida de até mil anos, daí pra frente.

Cedê SilvaHá alguns anos, o colunista Diogo Mainardi escreveu que se o filme não tem morte, não pode ser bom. Pra história ser boa, tem que ter morte?

José Mojica Marins – (pausa) Olha, tem que ter. Porque a morte é a coisa mais certa que nós temos na vida. Você sabe que ninguém vai ficar pra semente. Então nós temos certeza que um dia você vai morrer. Seja por acidente, seja de velhice. Então a morte é uma coisa certa, por isso que enquanto existir a morte vai ter o terror, o terror nunca vai acabar. Então eu acho que ele (Mainardi) tá certo. O filme tem que ter a origem, o nascer eu acho bonito, e de repente tem que ter o fim, a finalização de alguém, a morte.

E ver de que maneira a pessoa faz a morte. Não uma coisa como normalmente se faz, os bangue-bangues, os caras ficam lá no tiro, matam com um tiro só, matam meia dúzia, dez, aí fica realmente um trash, uma sátira. Eu acho que tem se levar a morte de alguém prum lado mais sério, mais amado. Mas um bom filme, um bom romance, uma boa história em quadrinhos, uma novela, uma série, tem que ter morte.

Cedê SilvaTem um filme passando no cinema agora, “Antes de Partir”, no qual Morgan Freeman e Jack Nicholson criam uma lista de coisas para fazer antes de morrer. Também são sucessos nas livrarias títulos com “coisas para fazer antes de morrer” ou “lugares para viajar antes de morrer”. A morte serve simplesmente para fazer com que as pessoas saiam de seus assentos e façam coisas? Esse é o objetivo?

José Mojica Marins – Eu acho que na verdade (pausa) a pessoa faz isso para ver se acha uma maneira de tomar coragem pra morrer. Porque ninguém tem coragem de morrer. Se dizer “olha, você vai morrer daqui a dez, doze horas”. Você vai contar aqueles minutos, nossa, você vai ficar desesperado. Então você procura algo pra ver se te entretém. Então fazer essas coisas pra depois que eu voltar, tal, cumprir uma missão, se é coisa de família eu acho que tem de deixar feito, não deve realmente deixar coisas para outros familiares e/ou amigos resolverem. Eu acho que você tem que resolver mas ao mesmo tempo isso faz você tomar coragem, ás vezes, de morrer. Eu acho que muita gente assiste fita de terror, fitas do oculto, do desconhecido, pra realmente pegar coragem de enfrentar a morte.

Cedê SilvaNo baralho de tarô, a Morte é um esqueleto com uma foice. Nos quadrinhos da Turma da Mônica, ela é uma senhora simpática. E nos quadrinhos do Sandman, ela é uma moça gótica. Qual é cara da Morte?

José Mojica Marins – (pausa) A cara da Morte na verdade a nossa mente pode fazer a que quer. O desenhista pode fazer a mulher com a foice, com a coisa como quiser, entende. Agora você pode ver a Morte como um homem. Pode ver a Morte como uma criança.

Eu... (pausa) lembro que escrevi... eu fazia Além muito Além do Além nos anos 60 na Bandeirante. E havia um trem que saía toda noite, às onze horas ia pro Rio. E o pessoal, todo mundo gostava de viajar nesse trem, porque tinha restaurante, tinha uma série de coisas. E eu uma vez com um amigo egípcio, que é muito amigo meu (pausa) a gente começou a ver uma pessoa – não definimos o rosto, por isso que eu falo, você põe o rosto que você quiser na Morte, não tem essa – só que vimos uma pessoa de preto. Completamente de preto, com um chapéu normal, preto. E essa pessoa estava sentada com um, e eu com esse amigo conversando.

Dali a pouco a gente olhava, esse cara levantava e sentava com outro. Passava um pouco, ele levantava e sentava com outro. Pô... aí resolvemos começar a entrevistar, como eu fazia o programa do Além muito Além, eu falei: “porra, só esse troço do cara aí tá dando o que fazer (sic), né”. No qual eu acabei fazendo Estranha Hospedaria dos Prazeres que era pra fazer realmente esse negócio num trem, mas aí ficaria muito chato na época, acabei fazendo hospedaria. Então começamos a sentar com a moça que o dito-cujo de preto conversou, ela disse que não viu ninguém. Fomos conversar com uma velhinha, fomos conversar com um senhor, fomos conversar com uma criança, ninguém viu ninguém. Fomos pro outro vagão que ele foi, ninguém viu ninguém. A única coisa é que o trem no meio do caminho parou. E uma pessoa se jogou. Do trem. Aí a gente supôs que aquela pessoa poderia ser a Morte, e somente estava confirmando, ela tava com algum problema, é rápido – é o que eu faço na Hospedaria, ela erra. Ela pega um que não tá morto depois ela libera o cara, né. Eu represento a Morte nesse filme.

Mas foi baseado nesse fato. Que até hoje eu sei, converso com ele, a gente até tá pra fazer uma fita meio estranha entre o Egito e o Brasil, né, e é um caso que me marcou demais, que eu não achei explicação e nem ele, que hoje é jornalista, advogado, uma série de coisas, é um cara riquíssimo, inteligente, mas ele fala: “eu vi. Eu tava com você. Foram dois que viram”. E vimos o trem parar e um cara que se jogou e morreu. Então o cara tava com os minutos marcados, simplesmente a Morte devia estar com algum problema, que ela queria ter certeza de quem que ela ia levar naquela madrugada.

Cedê SilvaUma última pergunta. Quando criança, você sonhou com seu túmulo, você via a data da sua morte. Você ainda lembra da data?

José Mojica Marins Não. (sorriso) Não foi bem assim não. Eu tive um pesadelo – eu me via arrastado para o cemitério, o que acabei pondo em Esta Noite Encarnarei em Teu Cadáver, só (longa pausa) que no meu sonho essa pessoa me levava prum túmulo onde tinha uma lápide. Nessa lápide tinha a data do meu nascimento e a data da minha morte. Eu não quis ver a data da morte. A da morte eu apaguei, não vi. Mesmo no sonho, o medo da morte, de pensar o que seria depois... Não foi bem de criança. Foi um pouco antes, foi esse sonho que deu vazão eu fazer A Meia-Noite Levarei sua Alma.

*****
 

Peixes:
segunda-feira, dezembro 31, 2007
 
O HOMEM DO ANO

Tropa de Elite não é o melhor filme brasileiro do ano, tampouco o melhor filme brasileiro de todos os tempos. Não é sequer o melhor filme de todos os tempos. É, isso sim, a maior obra de arte já produzida pela Humanidade.

Pelo menos foi a impressão que tive na única vez que em vi o filme - no cinema, poucos dias após a estréia, em outubro. Que em menos de dois meses o filme tenha inspirado um sem-número de paródias (verdade, a maioria bem sem graça) e inscrito dezenas de frases na cultura pop brasileira diz muito sobre o quanto ele é divertido e original. Que tenha sido capa de revista (Veja, Babaquice Capital, etc.) e motivado vários debates sobre pelo menos três assuntos diz muito sobre o quanto o filme é verdadeiro (não apenas autêntico.) Os três temas são: i) a responsabilidade dos consumidores de drogas pela violência, ii) a corrupção / truculência / má-conduta policial, iii) o absoluto caos da insegurança pública no Brasil.

RESPONSABILIDADE - Maconheiro é tudo maconheiro. Mas maconheiros não são inofensivos. Maconheiros têm ídolos, respeitados e bem-quistos ao menos em seus respectivos nichos (Bob Marley, Marcelo D2, etc.) Maconheiros têm slogans. Têm seus ativistas. Têm até seu deputado, Fernando Gabeira. O maconhismo é uma força política no Brasil, mais forte do que várias outras (por exemplo, é mais forte, ou ao menos mais tolerado, do que a causa anti-aborto).

A grande sacada dos maconhistas é o "se eu fumo ninguém tem nada com isso". Mentira. Quem fuma maconha financia o tráfico. Financia as disputas entre traficantes por território e carregamentos. Financia o bolsa-crime, dando salário para a criança que sai da escola e vai trabalhar no tráfico. Financia as armas: o disparo contra a facção rival, contra o cara que cometeu um vacilo, contra o policial, contra o cidadão comum. E também a bala perdida.

Belo Horizonte é uma das capitas mais violentas do Brasil, e das cidades mais violentas do mundo. É pior que São Paulo. É pau-a-pau com o Rio. Nossa taxa de homicídios em 2004 foi de 55,1; no Rio é 57,2. (Fonte). O maconheiro mineiro não vive na roça pacífica que ele pensa que vive. É por isso que o maconhista mineiro é mais cruel que os outros. Porque sua crença ignorante é ainda mais hipócrita, ainda mais falsa.

CORRUPÇÃO E TRUCULÊNCIA - Tropa de Elite não é um filme sobre heróis. Por um lado, Neto e Matias são incorruptíveis, batalhadores, e se esforçam para galgar largos e difíceis degraus para subir na vida. Por outro, Nascimento é um torturador, hipocondríaco, e mata também sem motivo. Põe na conta do Papa. Quando faz isso, age como quem põe a conta da segurança no Brasil nos EUA, porque são o país que mais consome drogas, ou "na sociedade", o que não significa porra nenhuma.

Li um blog uma vez (não lembro qual) que me alertou para um doublethink perigoso, que é o doublethink da Veja. A revista repete esse doublethink na edição de fim de ano. É dizer: a culpa da violência não é da sociedade, mas de criminosos individuais. Ok. Mas também dizer: a tortura e a truculência do policial é culpa do Estado, que o desampara, e não tanto do policial. Aí não dá. A violência é sempre de responsabilidade de indivíduos (um pleonasmo), de um lado ou do outro.

Neto não vive o suficiente para fazer coisas realmente heróicas. Matias entra no jogo de vinganças do BOPE e se auto-declara carrasco. Contrariando as opções excludentes de Nascimento, ele foi pra guerra. Mas também se corrompeu.

CAOS - Olavão está certo quando diz que a educação no Brasil só se distingüe do crime organizado porque o crime é organizado. Por exemplo, na FAFICH eu tenho um professor alegadamente anti-racista. Desses que levam o bandeirão anti-racista, abraçam a causa mesmo. Tudo bem. Mas...

Esse mesmo professor, juntamente com zilhões de inteléquituais dessipaiz, quer nos fazer crer que i) o problema da segurança pública não é tão ruim quanto a Lídia, sensacionalista, diz que é, ii) a politização/securitização do problema nubla e esconde outras "questões sociais" (cof cof cof cof) verdadeiramente mais importantes.

Primeiro, o problema da segurança pública no Brasil não é ruim como diz a Lídia. Verdade. É muito, muito pior. Cinquënta mil homicídios por ano é não apenas pior que o Iraque. É guerra. Qualquer retardado que se apressou em dizer que existe ou existia guerra civil no Iraque é obrigado a declará-la também no Brasil.

Segundo, esse professor anti-racista, ao colocar a segurança em segundo plano (ou terceiro, quarto...) comete ele mesmo uma atitude racista. Porque, usando uma lente anti-racista, podemos argumentar que uma das razões pelas quais a segurança pública não é ainda mais discutida é EXATAMENTE o racismo. De novo citando o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros:

- "Os avanços da violência homicida das últimas décadas no Brasil são explicados exclusivamente pelo aumento dos homicídios contra a juventude. Se as taxas de homicídio entre os jovens pularam de 30,0 em 1980 para 51,7 (em 100.000 jovens) em 2004, as taxas para o restante da população até caíram levemente, passando de 21,3 para 20,8 (em 100.000 habitantes)."

- 92% das vítimas são do sexo masculino, e “a população negra teve 73% de vítimas de homicídio a mais do que a população branca"

- enquanto a taxa média nacional anual de homicídios é de 27 (por 100 mil), ela chega a 65 entre jovens de 20 a 24 anos - a faixa mais expressiva. E é na faixa dos 14 aos 17 anos que a taxa vem crescendo mais aceleradamente. Os homicídios de pessoas com 14 anos, por exemplo, cresceram 63% entre 1994 e 2004 (lembrando que a taxa de homicídios totais subiu 48,4% no mesmo período).

Isto é, dos 50 mil homicídios por ano, boa parte das vítimas são homens, jovens, negros. Exatamente as pessoas desamparadas pelas quais o professor herói do anti-racismo deveria lutar.

O esquerdismo não se sustenta nunca, porque é sempre desonesto, e por isso sempre contraditório. Não dá para ser anti-racista e ao mesmo tempo dizer que o debate sobre segurança pública foi criado no governo FHC para esconder o crescente desemprego. Não dá.

CONCLUSÃO - E qualquer exercício de honestidade por parte de um esquerdista vai acabar criando algo que refuta suas idéias. O melhor texto sobre Tropa de Elite é do Olavão:

"Agora, José Padilha é crucificado pela esquerda porque em “Tropa de Elite”, pela primeira vez, o cinema nacional mostra a violência carioca pelo ponto de vista da polícia, que é o dos cidadãos comuns, e não pelo dos bandidos, que é o da classe artística, dos “formadores de opinião” e do beautiful people esquerdista em geral. Padilha não fez isso porque queria, mas porque, tendo optado por uma narrativa realista, teve de ceder à coerência interna entre os vários elementos factuais em jogo, mostrando as coisas como elas aparecem aos olhos de qualquer pessoa que esteja boa da cabeça e não tenha se intoxicado nem de cocaína nem de Michel Foucault, como o fazem aqueles três grupos de criaturas maravilhosas. O resultado é que no seu filme os traficantes são assassinos sanguinários, os policiais corruptos são policiais corruptos, os policiais bons são homens honestos à beira de um ataque de nervos, os estudantes esquerdistas metidos a salvadores do país são clientes que alimentam o narcotráfico e mantêm o país na m.... Todo mundo sabe que a vida é assim, e é por isso que instintivamente todo mundo acha que descer a mão em bandidos, por ilegal que seja, é incomparavelmente menos grave do que o imenso concurso de crimes – guerrilha urbana, homicídios, seqüestros, assaltos, contrabando, corrupção política – que o narcotráfico traz consigo".

E é por isso tudo que Capitão Nascimento é o homem do ano. Não porque ele põe na conta do Papa. Mas porque mostra que os esquerdistas vivem pondo na conta dos outros.
 

Peixes:
sexta-feira, junho 15, 2007
 























O IRAQUE DO MOVIMENTO ESTUDANTIL
Nesta sexta-feira 15 a ocupação do prédio da reitoria da USP por estudantes completa 43 dias. A CBN e a Folha noticiaram que o movimento teria emitido um “indicativo de saída” no dia 12, uma vez que as demandas fossem atendidas. Pámela Spinelli, estudante de Letras da USP e membro da Conlute, nega. “Não há indicativo de desocupação”, disse, “já que o movimento conseguiu muita coisa e não deveria parar”. Ela cita três sucessos: o governo Serra ter voltado atrás em sua proposta, e os compromissos da reitoria em posicionar-se a respeito e em formar uma comissão para reformas do campus, que não tem prédios próprios para alguns cursos. Isto inclui a promessa de 320 novas moradias estudantis.

“São vitórias, mas ainda insuficientes”, diz Spinelli. Permanecem dois graves problemas: “o processo de liberação de verbas passaria pela Secretaria criada pela proposta, e a Fatec, da Unesp, se desvincularia do ensino superior, passando a ser apenas escola técnica”. A autonomia administrativa, conta, foi obtida justamente por uma greve, em 89. Ela resume os cinco pontos do movimento: oposição à proposta de Serra e à Reforma Universitária, eleições diretas para reitor, anistia para os estudantes da ocupação, e mais verbas para a educação.

RELAÇÕES EXTERIORES - O G1 noticiou que os estudantes negaram vínculo com sindicatos ou partidos. Spinelli diz que atividades políticas “atuam sim nos movimentos sociais” e esta “não foge à regra. A ocupação ganhou um caráter político muito forte, como símbolo da greve das [universidades] estaduais”. O envolvimento parece bem forte. Para Bruno Simões, bacharel em Direito pela USP “a tal universidade autônoma, que tanto tem sido objeto dos discursos de apoio à invasão da reitoria, não passa de um pretexto para criar mais uma frente de disputa política entre o governo estadual e a oposição partidária de esquerda”.

Em relação à declaração do presidente da UNE, Gustavo Petta, de solidariedade à ocupação, Spinelli diz que foi uma atitude oportunista, “[ele] quis ir no embalo”. A UNE, governista, não compareceu ao prédio nem trouxe nenhuma ajuda aos ocupantes, afirma, e “não representa os estudantes”. Já Rafael Prince, estudante de Direito da USP, diz que a grande maioria dos uspianos não se sente representada tampouco pelos ocupantes. Até aqueles que os apoiavam”, diz, “estão repensando suas opiniões devido ao excessivo e desnecessário prolongamento da ocupação, mesmo após tantas vitórias”. A ocupação deveria ser pontual e específica, ressalta Prince. “Os alunos tinham que sair de lá de cabeça erguida após o decreto da semana passada, mas insistem em permanecer e fazer mais e mais reivindicações”.

O QUE ELES QUEREM - Bruno Almeida, estudante de Relações Internacionais da USP, diz que teve a rotina pouco interrompida pela manifestação, apenas não almoça mais no bandejão. “A ocupação de um prédio público como forma de protesto tem a sua validade”, declara, “se não impedir o funcionamento das atividades normais da instituição. Mas a situação na USP não se encontra mais dessa maneira; serão necessários aproximadamente seis meses de trabalho para colocar em ordem a burocracia”.

A expedição de diplomas está suspensa”, diz Simões. “O meu diploma, por exemplo, sabe-se lá quando receberei”.

Ambos Prince e Almeida concordam que o decreto inicial do governo era realmente nebuloso, mal-escrito – “o governo estadual não consultou a comunidade acadêmica diretamente envolvida”, esclarece Prince.

Apesar de contrário à ocupação, Simões também tem reservas em relação à proposta do governo. “A USP em tese ficaria vulnerável aos contingenciamento das verbas estaduais pelo próprio Governador”, diz Simões. “Se você direciona a pesquisa científica, você acaba ferindo liberdades acadêmicas, obrigando as unidades a trabalharem a pesquisa de um modo muito menos livre. Não se pode agredir a criação e a inovação com o direcionamento das pesquisas”.

BUSH NO IRAQUE, LULA NO HAITI... - Mas as demandas parecem ir muito além das resumidas por Spinelli. “Existe uma miríade de reivindicações de diversos grupos que compõem os alunos que ocupam a reitoria”, explica Almeida. “Primeiramente existem as demandas para a revisão ou derrubada dos decretos estaduais; depois as demandas por melhores condições na USP, como mais blocos de residência universitária, bandejão e transporte no campus nos fins de semana, reformas de prédios e afins; por fim, existe um grupo mais radical que exige a derrubada da reitora e do governador, o fim do vestibular para entrar na USP e outras demandas que na minha opinião são completamente infactíveis”.

As táticas dos ocupantes são bastante incisivas. “Os invasores pegaram os e-mails de todos os alunos, que estavam catalogados na Reitoria, e incluíram todos os alunos da USP inteira no grupo eletrônico deles”, conta Simões. “Bastou alguém mandar a primeira mensagem, para milhares de pessoas descobrirem que era impossível sair do e-grupo. Eu mesmo fui adicionado e bloqueei os e-mails do grupo”.

Em meio a tantos xiitas, fica difícil saber quem é Ahmadinejad e quem é Bush; sabemos apenas que Bagdá é aqui. Ou o Haiti, mesmo.

Se bem que, em se tratando de movimento estudantil (i.e. comunistas), a reitoria da USP não é o Vietnã. E nem o Iraque.

É o Afeganistão.

Os dois lados têm de ceder um pouco”, resume Prince. Simôes discorda: eu acho que não é o caso de negociar, é o caso de processar os invasores.”

 

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